Crônicas

5 frases sem sentido que ouvi enquanto reformava meu apê

 

Reformar tem lá seus momentos tensos. E reformar o imóvel no qual se mora, com menos de cinquenta metros quadrados é, talvez, das coisas mais radicais que alguém pode fazer na vida. Daí o primeiro pedreiro com quem você acerta arranja outra obra para fazer bem no dia que ele ia começar a sua. Daí o segundo pedreiro diz que o sifão da pia que você comprou não é bom, e que o rejunte também não é bom. Daí quando a poeira toma conta de todo e qualquer canto da casa, até debaixo da lona que você pôs para proteger os móveis, dá vontade de chorar no cantinho. Daí o piso taco que você ama fica todo “arranhado”, pra não dizer um palavrão. Daí você depende do banheiro da academia para seguir com a sua vida porque o seu único banheiro está em obras. E como se não bastasse, para piorar, ainda ouvimos frases que não ajudam nenhum pouco e que só aumentam o nosso nível de estresse. Algumas, depois que, literalmente, a poeira baixa, soam até engraçadas. E eu é que não vou perder a oportunidade de fazer graça, não é mesmo? Então, aqui vão as cinco frases sem sentido que ouvi enquanto reformava meu apê – e contando.

1. “Olha, a geladeira ficou na sala, que interessante!”

Não, eu não fiquei preguiçosa para levantar e pegar uma bebida láaaaaa na cozinha. É que se estou reformando meu apê, que é pequeno, morando nele ainda por cima, o único jeito é retirar tudo do cômodo em questão e colocar em outro. As coisas ficam fora de lugar mas não por escolha, e isso é meio óbvio. Então, quando alguém acha que eu quis ter uma geladeira na sala por gosto, não consigo evitar de pensar “como pode a baderna em que o apartamento se encontra, decorrente da obra, não falar por si?”.

2. “Mas vocês não querem ir para um apê maior?”

Claro! Só que sabe como é a tradição, a gente se junta, compra um apê, quebra, reforma, gasta e depois, sim, muda. Era um sonho adquirir um imóvel já pensando em morar em outro. E só pra constar, essa eu ouvi de uma pessoa que nunca esteve no meu apartamento.

3. “Vocês têm tralha, eim?”

Poxa, o liquidificador não pode ficar sentadinho no sofá por alguns dias, enquanto a cozinha é reformada, que já concluem que tu tem muito liquidificador. Quando, na verdade, tu tem só o teu mesmo, um. Quando reformamos a casa em que moramos, os objetos ficam deslocados de seus lugares usuais, é assim.

4. “Tem alguma coisa acontecendo no 502…”

Disse a Conferência Internacional de Vizinhos Sherlock Holmes no Corredor. Ora, barulho de furadeira é barulho de furadeira furando. Barulho de serrote é de alguma coisa sendo serrada. Barulho de marreta é de alguma coisa levando marretada. Barulho de prédio desabando é de prédio desabando. Não tem mistério. E sempre fiz tudo dentro dos horários exigidos – porque é assim que espero que os outros também façam e, também, porque é assim que funciona a norma do condomínio.

5. “Meu deus, vocês não param de fazer coisa!”

Não. Quem tá sempre fazendo coisa em imóvel é rico. Pobre vai devagar. Em um ano é o banheiro. No outro é nada porque no um se foi o dinheiro. No terceiro é a vez da cozinha, e no seguinte também. No quinto ano são os detalhes. No sexto a gente, enfim, consegue usar. No sétimo já tem que retocar. Tudo à prestação.

E aí, o que você já ouviu enquanto misturava tinta com solvente e desenvolvia uma rinite depois de viver uma vida se orgulhando de não ter rinite? Escreve aí nos comentários.

E, para encerrar, um pedido: tenha mais empatia com quem faz obra no imóvel em que mora. Não é segredo pra ninguém que a situação, embora um casos, é temporária (pelo menos deveria ser). Fica tudo uma zona mesmo e os moradores sabem disso.

Foto e texto: Juciéli Botton para Casa Baunilha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *