Crônicas,  Vida e Carreira

Sobre o filme Parasita, o público, a babaquice e os diferentes tipos de humor

Vou direto ao ponto: embora o filme Parasita seja muito bom como obra audiovisual, a minha experiência durante a sessão de cinema foi péssima. Minha e dos noventa e cinco por cento restantes.

O filme definitivamente não é uma comédia. Ele é tenso, muito tenso. Dá dor de barriga. E para conseguirmos sobreviver às duas horas e doze minutos de estômago nervoso, há determinados respiros de um certo humor, aquele humor ao qual a gente reage com um “putz!” e não como se estivesse assistindo às trapalhadas do Didi Mocó.

Pois na fileira atrás da minha, além de pisotear as cadeiras em frente, um cidadão e sua trupe gargalhavam de forma gratuita, a todo volume e até não poder mais. A enchente invadindo a casa da família miserável e lá vinha a risada Didi Mocó. O marido inicia preliminares com a esposa e, novamente, risadas de Didi Mocó.

O verdadeiro bocó forçava as risadas porque estava entre sua gangue e queria “causar” no recinto. A impressão que tínhamos – nós todos na sala – era de que tinham deixado a turma do jardim de infância passear no cinema.

Então lembrei porque há muito tinha parado de frequentar a sala escura. Conviver com o outro não é fácil. Por isso, faz-se necessário, sempre que possível, evitar. Ninguém “precisa” ir ao cinema. A vida acontece do mesmo jeito.

O bocó ainda conseguiu estragar o trabalho de uma equipe de centenas de pessoas. Todos os profissionais que se empenharam na criação da obra não conseguiram entregar o mood do filme naquela sessão. Ele se perdeu no ar. Os sentimentos eram confusos dentro da sala. Conflito constante entre o que o filme causava e o que o bocó jogava com uma pá em cima. Conflito de imagens entre o que se passava na tela e as cabeças das pessoas virando para trás na ânsia de entenderem de onde vinha a reação circense.

Gosto de assistir em tela grande apenas os filmes que realmente são muito importantes pra mim de alguma forma: ou porque adoro o diretor, ou pela história ou personagem. Parasita não era tão significativo assim. Me empolguei, fui, não volto mais.

Em contrapartida, há determinadas salas de cinema em Porto Alegre em que não visualizo o episódio do espectador bocó acontecendo. Pelo menos nunca aconteceu enquanto estive nelas e acredito que não acontecerá, mesmo. Infelizmente, dependendo do filme e do tempo que está em cartaz, precisamos nos sujeitar a alguns endereços (ditos de elite) e datas, como as de promoção. Não aconselho.

Agora quero saber de ti: já teve uma experiência de cinema com um bocó na poltrona mais próxima? Conta aí nos comentários.

Foto: Reprodução/Divulgação | Texto: de minha autoria, Juciéli Botton, para a Casa Baunilha.

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