DECORAÇÃO,  Na varanda

Na varanda | Protegida pelo jardim

 

As janelas estavam todas fechadas mas um barulho de máquina de cortar grama, misturado ao latido de um minúsculo cão, saía de dentro do jardim. Eu só queria uma coisa: registrar esta casa linda. Adentrei a mata nativa atrás de quem estivesse executando o trabalho. Achei que fosse avistar na primeira curva, depois do Hibisco, mas me vi num labirinto verde. O som ficava cada vez mais perto mas, ao mesmo tempo, parecia impossível encontrar vida. Fiquei com receio de não saber mais voltar. Cogitei chamar por resgate até que, enfim, Sérgio estava lá, trabalhando no gramado, na soleira das duas horas da tarde. “boa tarde! eu achei esta casa tão bonita… será que eu poderia fotografar?”. Sérgio foi chamar a dona e eu, olhando novamente para as janelas todas muito bem fechadas, “se ela estiver dormindo, não precisa, viu?”, “mas ela tá aqui…” e me levou até os fundos, onde havia uma espécie de varanda fechada. Liliane surgiu na janela e, sem sair de lá, mas com uma receptividade sensacional, “pode ficar à vontade! gostei de ti!”.

Perguntar pra alguém que nunca me viu na vida se eu posso fotografar sua casa, assim, do nada, dá um nervoso… só que totalmente desmanchado pela Liliane: “todo mundo para aqui e pede pra fotografar! já filmaram até curta metragem!”.

Então, lá fui eu bem feliz pelo bosque da casa que já foi cenário de filme.

 

 

A casa, que fica em Morro Reuter, na serra gaúcha, demonstra de longe que tem algo de especial. O ano registrado no alto da fachada remonta a 1917. Uma casa com história pra contar e, ao mesmo tempo, super bem cuidada. O capricho das pessoas de cidades do interior para com seus lares é algo que me fascina. Ainda na fachada, a gente pode notar alguns detalhes em marrom que fazem referência a figuras geométricas. Isso é bastante característico nas casas desta época, nesta região. Ainda vou fazer uma postagem sobre isso. Os losangos, por exemplo, são muito presentes na ornamentação exterior dessas residências.

 

Detalhe do gancho que segura a veneziana.

Embora tenha me confessado que não vale a pena ter todo o trabalho de cuidar de uma horta, já que o preço das verduras no mercado é barato (nada como morar no interior), o jardim guarda joias como limoeiro e bananeira, muitas delas, inclusive.

 

 

 

Ali, na janela, está Liliane, a simpatia em pessoa. Mora desde bebê nesta casa. Muitos da família tentam convencê-la a sair dali mas ela adora tudo isso. Não arreda pé por nada.

 

 

As roseiras em tamanho mini são arrebatadoras. Eu não resisto. Clico umas quinhentas vezes e depois morro pra escolher uma, duas fotos, pra decorar o post.

 

 

 

 

Três, vai. São lindas demais.

 

 

 

 

Fiquei muito feliz em encontrar a Liliane, esta casa e o Sérgio, que disse “se tu gosta de casa antiga, vai lá ver a minha, é de 1800. É pertinho, tá tudo aberto, pode ir”. Destaque para tá tudo aberto, pode ir. Em que lugar, no mundo, a gente ouve um negócio desses? O que eu fiz? Fui lá, claro, e o resto da história a gente confere num próximo post.

 

Fotos e texto: Juciéli Botton para Casa Baunilha

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