• Por aí,  São Paulo

    Sentar no balcão: a melhor experiência gastronômica | E sobre o Z Deli

     

    “Liberou lugar, mas só no balcão” disse a atendente em tom de desapontamento ao nos dar a notícia de que teríamos que esperar mais um tempo se quiséssemos sentar a sós.

    Sentar a sós? Com o homem, sim, mais incrível do mundo e que, por acaso, é meu marido há 20 anos? Para falarmos sobre a parede que ainda falta pintar no apê, que, por sinal, acabamos de falar sobre ela na fila de espera? Não. Nós queremos ver como os pratos são feitos, ouvir a conversa da equipe, bater papo com o barman e receber uma provinha gratuita de um tartar alheio sendo feito. Queremos a fumaça da chapa umedecendo a lente da câmera, os detalhes dos aventais e algum segredinho culinário. Queremos elogiar enquanto cortam rapidamente a ciboulette e ver que se enchem de orgulho com isso.

  • Por aí,  São Paulo

    Vi o acervo do MASP antes da exposição Histórias das Mulheres, e fez toda a diferença

    Nesta situação, a ordem dos fatores alterou e muito o produto. Na sexta-feria passada, fui ao MASP, em São Paulo, sem tomar conhecimento de quais exposições aconteciam, exceto o acervo, claro. E como meu marido ainda não conhecia o museu e adora pinturas realistas em estilo clássico, achei melhor começarmos pelo acervo mesmo, no andar mais alto, já que não tínhamos muito tempo até o fechamento do espaço. Picasso, Monet, Renoir, Di Cavalcanti, Portinari, van Gogh, Matisse, Modigliani. Aquela enxurrada de artistas homens. Depois, quando no andar de baixo, na exposição Histórias das Mulheres, o choque foi grande. Somente obras realizadas por mulheres, tanto quadros como bordados. Pinturas que nem sei como explicar para vocês tamanha perfeição e beleza. Esse contraste entre a exposição do acervo e a exposição das mulheres nos fez pensar sobre as artistas de talentos incríveis que nunca tiveram suas histórias contadas, seus quadros exaustivamente expostos e publicados, comentados e ensinados nas escolas, como acontece com os homens do andar de cima.

  • RECEITAS

    Abacate para um café da manhã sem a margarina: sobre hábitos e culturas

    Fico maravilhada com o quanto somos capazes de mudar nosso gosto por comida, nosso paladar. Vocês também sentem isso? Na verdade, acho que o que se encaixa adequadamente no pensamento que vou elaborar é mais a cultura, a educação, do que o gosto, pura e simplesmente. Por exemplo, enquanto morei na casa dos meus pais, comia o que tinha sobre a mesa da maioria das casas brasileiras: margarina, passada no pão do café da manhã. É assim que somos criados, é assim que somos ensinados, é quase que natural.

    No momento em que fui morar sozinha e, depois, com o meu marido, na medida em que tive mais acesso a informações sobre alimentação, passei a substituir muitos ingredientes e a eliminar alguns de vez. Como a margarina. Não compro margarina no supermercado. Maionese, então, nunca fui fã do gosto da industrializada, o que faz dela um item que nunca entrou na minha casa. Inclusive, tem um episódio com relação a isso. Uma amiga levou torta fria para a hora do café no ateliê que frequentamos, e que estava maravilhosa. Elogiei perguntando se ela mesma tinha feito a maionese, ao que ela me responde que não, era a pronta de supermercado, “daquela marca famosa” disse ela. Fiquei chocada com o fato de que a maionese não tinha gosto de industrializada, e todos ao redor imediatamente: “faz tempo que ela não tem mais esse gosto!”. Ou seja, reparem na minha desatualização quanto a maioneses prontas.

  • Guarda-roupa,  Por aí,  Porto Alegre,  Rio Grande do Sul,  Vida e Carreira

    Comprinhas pelos brechós da João Pessoa em Porto Alegre

    Brechó, pra mim, é aquele que vende roupa BARATA. E em Porto Alegre é na Avenida João Pessoa que se concentram muitos deles. Eu noto que são meio desacreditados por uma parcela da população e por isso quero trazer, nesta postagem, as peças que eu garimpei nesses brechós bons e baratos. Além da oferta incrível de boas peças e preços daqueles com que a gente sonha, a maioria ainda aceita negociar preços (com exceção de um).

    E como se não bastasse, ainda nos deixam bastante à vontade para olhar e provar as peças. Nada mais chato e frustrante do que entrarmos em uma loja que se auto-intitula brechó, descobrir que os preços são salgados e ainda por cima o vendedor fica em cima da gente, abrindo a cortina do provador, muito invasivo, querendo entrar junto e saber como a roupa ficou, insistindo para levarmos algo a todo custo. Repito: sempre fico bastante à vontade nos brechós da João Pessoa, e em alguns ainda me divirto muito com o humor dos vendedores.

     

    • BRECHÓ LE REJI | Av. João Pessoa, 1244

    As gurias são muito queridas e me deixaram muito à vontade. Ninguém abriu a cortina do provador, ninguém quis ver como ficou, nada.

    B L U S A  D E  V E L U D O | R$ 20 | Eu não resisto a uma peça de veludo e ainda adorei a estampa. Não sou uma pessoa de roupas rosas, mas este rosa antigo específico achei que ficou muito incrível como fundo para as plantas. Gosto de usar por dentro da minha calça jeans velha de cintura alta, fazendo um visual high-low. Desapego: uma vez que esta blusa entrou no meu guarda-roupa, outra saiu para ser doada. No meu armário é assim: só entra peça nova se uma outra sair.

  • Canela,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    Cascata do Caracol em Canela com chuva? Vai ser lindo igual

    É tempo de chuva, muita chuva, aqui no Rio Grande do Sul. Então não fique frustrado se chover no dia em que você estiver se dirigindo à Serra Gaúcha para ver a maravilhosa Cascata do Caracol. Principalmente porque ela fica linda igual.

    Eu sei, ninguém quer viajar ou simplesmente fazer um passeio no fim de semana e, na hora h, chover. Porém, em se tratando de lugares a céu aberto, no que diz respeito à mãe natureza, é melhor aceitar que dói menos, como dizem. Só que aí é que está. Não deveria doer pois é lindo igual. A natureza só mudou de traje, sabe? Digamos que um dia de sol é quando ela veste sua roupa mais social, aquela com a qual será bem aceita em qualquer situação. Já a chuva e o céu cinza indica que está mais à vontade, com aquele moletom super confortável de andar em casa.

  • Pela web,  Por aí,  São Paulo,  Vida e Carreira

    As voltas que a Internet dá: desvendando o set da série Edifício Paraíso

    Adoro bancar a agente do FBI para descobrir locações de filmes, séries e afins. Mania que vira uma verdadeira jornada e que proporciona descobertas para além do que eu queria desvendar. Quem nunca embarcou numa viagem só de ida pela Internet para nunca mais voltar ao ponto de partida?

    Depois que a Fernanda Young tragicamente se foi, uma das escritoras que mais gostava, tive vontade de rever a série Edifício Paraíso. A trama mostra, madrugada adentro, cinco casais em seus respectivos apartamentos tendo, simultaneamente, aquela grande briga que todo casal tem.

  • Morro Reuter,  Por aí,  Rio Grande do Sul

    Aproveitando a 4ª Festa Nacional da Lavanda em Morro Reuter | RS

    No final de semana passado aconteceu a 4ª Festa Nacional da Lavanda, em Morro Reuter, entre os dias 18 e 20 de outubro – sexta a domingo. Eu fui no sábado e vou contar para vocês o que vi por lá.

    A Festa Nacional da Lavanda tem entrada gratuita (pagando apenas para assistir a um ou outro show) e possui uma programação bem sortida, incluindo várias atividades das quais adoraria participar, como a oficina para a extração do óleo essencial da planta, os passeios guiados pelos campos de lavanda e até uma caminhada de 10km pela região, passando também pelas plantações.

    Só que não consigo aproveitar muitas delas. Como a oficina que acontecia durante os 3 dias de festa, incluindo a sexta-feira. Já para a caminhada precisava ter me inscrito com antecedência e fiquei sabendo da festa um pouco em cima da hora. Outra questão é que estas atividades ao ar livre começam cedo da manhã, e para quem sai de Porto Alegre complica porque podemos pegar engarrafamento na estrada. Então acabo aproveitando a celebração circulando pela feira, olhando os estandes, comprando os produtos que me agradam (até porque adoro incentivar os produtores locais) e também provando a culinária.

    Morro Reuter é a única cidade do Rio Grande do Sul, e uma das três no Brasil ,a cultivar a planta comercialmente. A lavanda dentata veio da Europa há 20 anos e se adaptou muito bem ao solo e ao clima de Morro Reuter. Hoje, há 22 famílias que cultivam a planta no município. Na festa, podemos encontrar uma variedade enorme de produtos feitos com ela, indo além dos cremes e sabonetes, como cucas, biscoitos, chocolates e até cerveja. Ah, e a produção é totalmente feita no município.

  • Dois Irmãos,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    Bate-volta Serra Gaúcha #5: almoço no Spettacolo, colha e pague, sol no parque e aquele bolo

     

    Quando gosto, volto. Quando volto e vejo que a qualidade se mantém, vira parada obrigatória. O restaurante Spettacolo, o Colha e Pague Altes Haus e a padaria/café Produtos Becker com seu bolo molhado viraram pontos obrigatórios na minha rota para a serra gaúcha.

  • DECORAÇÃO,  Decorar,  home office,  jardim

    Meus cactos brotaram!

     

    Eu sei que tem que molhar de vez em nunca, que adoram tomar sol, mas os cactos e as suculentas não vingam por muito tempo na minha casa. Trato a pão de ló e nada. Tenho a sensação de que eles todos eram mais felizes onde estavam: no ar condicionado e luz artificial do supermercado, ou sob a poluição sonora opressora da avenida em frente à casa dos meus avós na praia. Então resolvi fazer o caminho inverso. Em vez de tirá-los de seus lugares, resgatei das ruas e trouxe para o aconchego do lar.

    E deu super certo.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    Não, eu não estou grávida: pelo direito das mulheres aos quilos a mais

     

    As pessoas continuam a perguntar se estou grávida. Há muito inserida nesse contexto de perguntas e respostas, notei que há uma engrenagem por trás da pergunta. Pessoas te consideram grávida porque, por alguma razão, é descartada a possibilidade de você estar apenas pesando alguns quilos a mais do que o usual. Por isso venho aqui, de coração aberto e pochetinha adiposa devidamente demarcada pela minha calça mom jeans, para defender o direito das mulheres de engordarem e exibirem seus quilogramas extras.

    Para começo de conversa, não me considero gorda. Só que todos os olhares que me rondam dizem que sim. E vamos encarar: hoje, se você não exibe a tal da “barriga negativa” e adora comer uma lasanha de vez em quando já é considerado gordo. Ou melhor, ou pior, gorda. As pessoas não julgam o corpo dos homens.

    A condenação e o preconceito acontecem em um processo. Digo preconceito, sim, porque é a partir dele que urge o direito de adquirirmos e exibirmos uns quilos. Veja bem: para excluírem a possibilidade de termos gordura localizada e afirmarem estarmos grávidas, é preciso estar debruçado sobre pré-conceitos: hum… ela sempre foi magra, não pode estar gorda / que isso, ela é bonita, não pode estar gorda / ela é minha (coloque o parentesco), não admito que esteja gorda / mas ela namora o fulano, então aquilo não deve ser gordura / ela era ginasta, não pode ter engordado e por aí vai.