• Crônicas,  Vida e Carreira

    Sobre o filme Parasita, o público, a babaquice e os diferentes tipos de humor

    Vou direto ao ponto: embora o filme Parasita seja muito bom como obra audiovisual, a minha experiência durante a sessão de cinema foi péssima. Minha e dos noventa e cinco por cento restantes.

    O filme definitivamente não é uma comédia. Ele é tenso, muito tenso. Dá dor de barriga. E para conseguirmos sobreviver às duas horas e doze minutos de estômago nervoso, há determinados respiros de um certo humor, aquele humor ao qual a gente reage com um “putz!” e não como se estivesse assistindo às trapalhadas do Didi Mocó.

    Pois na fileira atrás da minha, além de pisotear as cadeiras em frente, um cidadão e sua trupe gargalhavam de forma gratuita, a todo volume e até não poder mais. A enchente invadindo a casa da família miserável e lá vinha a risada Didi Mocó. O marido inicia preliminares com a esposa e, novamente, risadas de Didi Mocó.

  • Por aí,  São Paulo

    O souvenir do Bairro da Liberdade que vicia – e outros que adoro

    Em termos de produtos, o Bairro Liberdade em São Paulo é interessantíssimo para fazer compras e levar para casa itens diferentões ou aqueles envoltos em muita nostalgia. Mesmo assim, diante de uma oferta variada e incrível, eu não posso voltar para casa, de jeito nenhum, sem um certo biscoitinho sabor gengibre. Depois que provei, se tornou, digamos, o meu souvenir do bairro. Para vocês terem uma noção do quanto é bom e do quanto me apaixonei, o souvenir comestível ultrapassou os bowls de cerâmica japoneses e até os chicletes da minha infância na lista de adoração – tenho imagens.

  • DECORAÇÃO,  Decorar,  Reformar

    Os outros programas gringos de decoração e reforma a que assisto – e seus problemas

    Na publicação anterior, contei quais eram os meus dois programas de reforma e decoração preferidos. É claro que não acompanho apenas dois, já que o mundo desse tipo de entretenimento é maior que o nosso próprio mundo. Então trago agora uma lista dos outros programas aos quais também gosto de assistir, mas que apresentam alguns aspectos que não me agradam, que chamei de problemas, e por isso não entraram para a lista dos meus programas de renovação de casas favoritos. Vamos a eles:

  • DECORAÇÃO,  Decorar,  sala / estar

    A importância do contraste na decoração

    É uma característica da minha casa estar sempre mudando e é algo que já entendi. Porque mudo. Na medida em que amadureço, as ideias que tinha sobre a vida e preferências já não governam mais a minha cabeça e dão lugar a outras. Somente a minha apresentação no blog eu já perdi as contas de quantas vezes reescrevi – fica na barra lateral para quem acessa em tela grande, ou lá no final para quem vê por celular, ou na parte SOBRE do menu. Não mudar é, no mínimo, duvidoso. Algo não vai bem.

    E se teve um canto da minha casa que se modificou muito, e por muitas vezes, foi o da TV. Tenho o rack que fiz no estilo faça você mesmo, suspenso e instalado acima da TV, o que liberou o móvel que fica abaixo dela. O décor deste móvel já mudou horrores. Embora sempre satisfeita com as mudanças, aquela sensação de que alguma coisa ainda faltava nunca me deixou. E o que faltava eram, exatamente, algumas noções sobre CONTRASTE.

  • DECORAÇÃO,  Decorar,  Reformar

    Os 2 programas gringos de decoração e reforma mais incríveis

    Programas sobre reforma e decoração são como praga, têm aos montes. Gringos, então, dominam a praça, em diversos tipos e formatos. Tem os que só reformam fachadas, outros só banheiros ou quintais, tem os dos irmãos gêmeos, tem o das casas pequenas, tem os das cidades do interior, os de desafios, como amar ou deixar a casa e tantos outros.

    Eu assisto a muitos deles, pois há uma grande parte que é boa. E quando considero boa quero dizer que podemos tirar algumas lições e aplicar nas nossas renovações em casa.

  • Por aí,  São Paulo

    Buona Fatia Pizza Bar: meu lugar no mundo – e em São Paulo

    O Buona Fatia é o lugar (em que se come) em que fico mais à vontade e que tem a pizza mais sensacional que já comi. Quer mais? Sempre fui muito bem atendida, tanto é que gosto de puxar conversa com os atendentes mesmo. Também presenciei uma noite de lotação máxima, com lista de espera para mais de uma hora e, mesmo assim, a atendente nos recebendo com um sorriso no rosto e mantendo a ordem da coisa toda com muito bom senso.

    Faz tempo que decidi reservar o verbo “amar” para pessoas e elementos específicos da vida que precisam se esforçar muito para serem amados – já se deu conta que a gente “ama” muita coisa? Substitua por “adora” para não banalizar o amor. Mas agora eu terei de dizer, sim, que amo esse lugar. É o meu lugar no mundo. Está para nascer outro lugar, vamos ver conforme eu for andando por aí, mas o Buona Fatia continua no topo da lista.

  • antes e depois,  DECORAÇÃO

    Antes e depois: Mural de inspiração

     

    Esta transformação de ambiente tem muito daquele slogan de marca de esportes: apenas faça. Eu vinha adiando o mural de inspiração – que deveria ficar acima da mesa onde crio as peças em cerâmica – porque “precisava” de uma tela de ferro usada em construção que nunca encontrei em lugar nenhum do jeito que eu queria. Como o espaço é grande, pediria para cortar neste tamanho personalizado, e penduraria as referências e inspirações com pequenos prendedores que imitam os de varal de roupas – tenho eles aos montes e já uso no meu outro mural próximo ao computador, com lembretes e listas.

    Na medida em que o tempo passava, fui pensando: essa tela aí, não encontro nunca, e depois eu teria que fazer furos na parede que faz divisa com o banheiro para pendurá-la… e já não aguento mais olhar para este canto sem graça… Ah, quer saber, vai de fita adesiva mesmo e era isso.

  • DECORAÇÃO,  Reformar

    Sobre reformas gentis

    Enquanto visitava apartamentos com a minha irmã, para alugar, me deparei com estes azulejos da foto e meu corpo resgatou a sensação que tive em 2018, quando entrei pela primeira vez no banheiro do apartamento em que fiquei em Florianópolis, Santa Catarina.

    Lembro de ser surpreendida pelos azulejos de flores rosadas, aplicados até uma certa altura da parede – o resto era pintura. As flores não eram impressões baratas, mas louça esmaltada de verdade. O balcão não era grande coisa, detonadinho mas, acima dele, um armário espelhado, três portas, exatamente igual ao que tinha no meu banheiro, antes da reforma.

    Deu uma saudade do meu armarinho… junto com uma sensação de soco no estômago de que a reforma que fiz no banheiro do meu apê tinha sido muito drástica. Parecia que podia sentir a dor do cômodo.

  • Por aí,  Rio Grande do Sul

    O nostálgico sorvete de doce de leite do Bistrô Pelotense

    Vou dizer uma coisa pra vocês: eu até trouxe uma caixa com vários doces de Pelotas – Rio Grande do Sul – para casa, da marca mais indicada e aclamada da cidade, mas o melhor doce que comi por lá, nesses tempos, foi o sorvete de doce de leite do Bistrô Pelotense. “A senha da wi-fi é étudofeitoaqui” disse o simpático atendente quando perguntei se a iguaria era feita na casa mesmo.

    Acho que é o doce mais nostálgico que já provei. Tem o mesmíssimo gosto da rapadura de doce de leite que minha bisavó fazia. Ela foi criada e morou a vida toda na roça, daquelas pessoas que compravam apenas o sal e a querosene, o resto fazia tudo com as próprias mãos, do sabão de gordura animal ao edredom de lã de ovelha. A rapadura de doce de leite que ela fazia era clarinha, cortada em pequenos quadradinhos, macia como nuvem, desmanchava na boca e era doce até não poder mais. Uma mordida e um gole d’água. Pois o sorvete de doce de leite do Bistrô Pelotense parecia a rapadura dela derretida e depois congelada.

    Também adorei o bufê servido no almoço. Tinha lasanha de abobrinha e umas batatas-doces rústicas assadas, com casca e tudo, maravilhosas. O lugar é perfeito para fazermos uma refeição leve. E o décor conquista a gente, que adora um décor que conquista a gente – tenho imagens.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    Reflexões a partir da exposição Digo de onde venho, de Mariza Carpes, no MARGS

    Sou diretora de arte publicitária, trabalho com design gráfico e também faço cerâmica. Para mim, a questão visual pesa muito, seja de um cachorro-quente ou de um filme. Pois o primeiro impacto que tive quando adentrei a exposição Digo de onde venho, de Mariza Carpes, foi o quão bonito e coerente estava o espaço, ou melhor, os espaços, pois a obra ocupa duas salas do MARGS. As cores escolhidas são muito agradáveis e sóbrias, a iluminação aconchegante e as centenas de itens eram organizadas magistralmente. Adoro exposições de arte que me fazem querer ficar por ali um bom tempo ou, ainda, perder a noção do tempo.

    Perceber a estética visual ao redor aconteceu em um milésimo de segundo, seguido de um outro milésimo de segundo de “olha todos esses objetos, parece a minha casa!”.

    Nesse momento, queria muito abraçar Mariza, dizer a ela “obrigada, você me entende”. E para você entender porque senti isso, precisamos entender a exposição de Mariza.