• Por aí,  Porto Alegre,  Rio Grande do Sul

    Onde comer em Porto Alegre | Guia Rápido

     

    Onde comer em Porto Alegre? Onde você quiser, claro. Mas é sempre bom uma indicação de quem já está se alimentando na cidade há algum tempo, não é mesmo? É bem difícil elaborar uma lista como esta. Não somente pela questão do gosto pessoal mas, também e, sobretudo, porque há lugares que são icônicos, que o povo aclama mas que podem ter abandonado o apreço pela qualidade, seja da comida ou do serviço. Ainda bem que temos os velhos de guerra, lugares em que não importa se falta luz no bairro, se a crise aperta, se os caminhoneiros entram em greve: o serviço e a comida parecem inabaláveis. Também há os novos, abertos há pouco, que arregaçam as mangas e batalham para continuarem respirando. Ambos merecem toda a nossa admiração.

    Aqui segue uma lista curta, que chamei de guia rápido porque são muitos os lugares onde se come bem em Porto Alegre. Considerei os que eu gosto e que frequentei nos últimos tempos, garantindo uma avaliação recente. Lugares que, apesar da fama, apesar dos pesares, se esmeram sobre as chapas, os fogões e as facas na capital gaúcha.

     

    À la minuta

    • Dá Domingos. Mesmos proprietários do Tudo Pelo Social, só que menos filas por ser menos conhecido. Na Rua Domingos Crescêncio.
    • Cozinha da Bento. Perto do Hospital Hernesto Dorneles – já fica a dica para quem tem que fazer hora nos arredores, eu sei como é. Pedi a de frango. E a salada que acompanha é de tomate e cenoura cozida, picados e fresquinhos – nada daquelas folhas de alface encostando na mesa e rodelas de tomate opacas que ninguém come.
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    A trilha sonora de Porto Alegre: Ramilonga de Vitor Ramil

    Contagiada pelo aniversário de 247 anos da capital gaúcha, fiquei lembrando de suas músicas. Há muitas canções que cantam Porto Alegre. Quando pensamos no assunto, as que geralmente vem à cabeça dos gaúchos é Deu pra ti, de Kleiton e Kledir, ou a Porto Alegre é demais, eternizada na voz de Isabela Fogaça. A Horizontes, criada por Flávio Bicca Rocha para a peça Bailei na Curva também acabou caindo no coro dos porto-alegrenses. Não nos esqueçamos da história contada em Amigo Punk, da banda Graforréia Xilarmônica, e do grande Teixeirinha com a música Porto Alegre. E tantas outras.

    Mas a que me provoca uma saudade embrulhada em lágrimas, aquela que combina perfeitamente com o frio que é só nosso, com o vento que corre sobre o Guaíba, com as ruas vazias do Centro Histórico, aquela que dói é: Ramilonga, de Vitor Ramil. É das coisas mais lindas. Apenas violão e voz. Precisa mais? Aperta o play enquanto eu me encarrego do visual, com algumas fotografias que fiz ao longo dessa vida porto-alegrense.

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    Porto Alegre: 247 anos

    A capital dos gaúchos, a minha cidade do coração, completa 247 anos hoje. Aproveitei os festejos e fui ali no menu do blog, na categoria Por Aí, e cliquei em Porto Alegre, of course, para recordar o que eu já tinha escrito sobre ela. Rolar a barra para baixo foi como ver passar aquele filme da vida. Muitas homenagens, recordações, indicações de endereços legais, reverências a espaços simbólicos da capital e, também, algumas críticas a quem não trata muito bem a menina moça dos pampas. Porque se tem algo que acho que nós podemos fazer, enquanto viventes em uma cidade, seja qual for, é olhar para ela com olhos críticos, para elogiar e prestigiar o que está muito bom obrigado e, também, para nos indignarmos e tornarmos urgente alguma mudança. Não esquecendo que nós também fazemos parte do fazer a mudança.

    Tão bonito ver a própria comunidade se organizando e colocando a mão na massa para revitalizar a escadaria General João Manoel, por exemplo, no Centro. Não só revitalizando como, também, tornando possível que pessoas passem por ali. É incrível o poder que esse tipo de iniciativa tem porque o fato não é que há policiamento por lá, garantindo a segurança. Na verdade, não há ninguém lá. A escadaria apenas foi limpa, restaurada e pintada, colorida, na verdade, o que a torna um lugar favorável à passagem de pessoas. Com o movimento, pessoas atraem mais pessoas e, assim, a sensação de segurança é transmitida à população que precisa transitar por ali. Isso é transformador. Outro exemplo é o investimento de alguns empresários e chefs que decidiram abrir seu negócio na Escadaria da Borges, por onde não temos mais medo de passar, muito menos de estar. As próprias feiras, de produtos orgânicos e de artesanato, espalhadas pela capital em lugares que há muito não sabiam do que se tratava a presença humana, tornam esses espaços aprazíveis. Eu adoro isso, pois só comprova que a cidade está sempre pronta para ser parceira, de forma bonita, útil e segura. A cidade não tem culpa de nada. Nós é que precisamos nos organizar, tomar para si a responsabilidade, não somente da cidade mas, também, do nosso próprio crescimento que, dessa forma, a cidade cresce junto. Em beleza, em movimento, em convívio, em oportunidade, em segurança, em prosperidade.

    Então, retomando, vou listar as postagens que fiz sobre Porto Alegre aqui na Casa Baunilha, em ordem cronológica, isto é, da mais antiga para a mais recente. Clique nos títulos para acessar as publicações.

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    O Mercado Público de Porto Alegre

    Já comentei aqui no blog que gosto de começar um roteiro por uma cidade, quando estou viajando, pelo seu mercado público, também chamado de mercado municipal em algumas localidades. Pois eu estava começando a me envergonhar de não ter uma postagem dedicada ao mais incrível dos mercados, o meu preferido, que é o Mercado Público de Porto Alegre, minha cidade. Eu não sei explicar por que acho ele tão sensacional. Talvez sua configuração, com um vão em forma de cruz, que faz a gente circular de forma mais prática entre as bancas. Talvez seja o fato de, em qualquer dia, a qualquer hora, ter sempre um povaréu. Calma, não a ponto de não conseguirmos nos mexer e não aproveitar o espaço como deveria, mas num nível mesa-de-família-italiana, capisce? Em janeiro e fevereiro, períodos de praia e carnaval, até que ele respira um pouco melhor. Mas em noventa por cento do tempo, suas veias bombeiam mais gente que uma ala de escola de samba. Isso é tão bonito e é exatamente o que faz do mercado público um mercado público: sua gente. Centenas de braços levantados sobre balcões por minuto. Sacolas e pacotes pra lá e pra cá. Pesagens mil em balanças digitais. Fichas e mais fichas aguardando atendimento. Relógios que não marcam a hora certa. Até o que já não funciona no Mercado faz parte de sua personalidade. Neste post, convido você a fazer um passeio por ele que completou, em 2018, 150 anos, e que há mais de 5 espera ter a saúde devidamente restaurada após um triste incêndio – o 4.º de sua história, fora as enchentes.

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    Centro de Porto Alegre | Guia prático

    Quando alguém diz que não gosta do centro de Porto Alegre sinto como se estivessem falando do meu melhor amigo. O centro é tão generoso com a gente. Se existisse somente a Rua dos Andradas nós já resolveríamos a vida toda só por ali. Mas o centro é tão mais, e cabe todo mundo. Quando alguém espeta a ponta do guarda-chuva no teu olho, tu sabe: o centro já abraçou todos. Mas sempre cabe mais um e, provavelmente, vai ser aquele que vai caminhar de costas e não vai te ver na direção contrária. Viu? Só quem gosta do centro pode falar do centro.

    Quantas vezes atravessei a cidade no minguado horário de almoço para ir até o centro resolver alguma coisa. Tirar fotos 3×4, comprar potes, vinho, ver arte, fugir. Ache o seu centro no centro. E na volta, já sem tempo, passava na Galeria do Rosário e pegava um cachorro do Bigode pra levar. Voltava, no ônibus, com a caixinha no colo e aquele cheirinho que atiçava ainda mais a fome. E engolia em poucos minutos num canto da copa da agência.

    O antigo Cinema Imperial, que já cheirava a mofo, salvou eu e meu marido de um dilúvio certa vez. Entramos para ver o que estivesse passando, pelo menos para não ficarmos doentes com tanta chuva (se bem que o cinema estava úmido, escuro e mofado) e, pra nossa alegria, passava Procurando Nemo, um dos meus preferidos de animação até hoje.

    O Cinema Imperial não existe mais, assim como muita coisa no centro. Mas o centro mesmo continua lá, sempre nos esperando, sempre te oferecendo alguma coisa. Uma lajota solta com barro embaixo, arquiteturas históricas, crianças te pedindo dinheiro, engraxates pela Praça da Alfândega – que eu ainda quero experimentar porque tenho uma botinha que está pálida, coitada – iguarias gastronômicas, pingos de ar condicionado (ou não), espaços culturais.

     

    Pensando nessa legalzice toda do centro de POA, resolvi reunir em um guia prático os lugares a que eu costumo ir e coisas que adoro ver para compartilhar com vocês e trocar ideias sobre endereços úteis e bacanas. Desenhei este mapa para ilustrar melhor a distribuição espacial dos pontos. É um mapa do centro do dia a dia, ou seja, ele nem mostra toda a área correspondente à região central.

    Vamos lá, centro querido!

     

    1. Igreja Nossa Senhora das Dores. Icônica que só ela. Não vou à igreja mas ela arrebatou meu coração pela arquitetura e história. Acho lindas as fotos antigas de Porto Alegre (em preto e branco) em que ela era a única construção alta de toda a cidade na época. Ainda hoje, suas torres altíssimas roubam a cena na metrópole. Não é sempre que passo por ela quando vou ao centro mas, se estou lá na ponta da Andradas, sempre espio, tiro uma selfie, peço a “bença”, essas coisas. Rua dos Andradas, 587 embora o Instagram marque como Rua Riachuelo (não aguento isso).

    2. Beco dos Livros. Precisa fazer hora e já viu tudo que tinha nos museus? As dezenas de sebos do centro vão te ajudar. Uma vez comprei um livro por 5 reais muito do interessante que foi meu companheiro da tarde, do ônibus de volta pra casa e para o resto da semana. Andradas, 697.

    3. Casa de Cultura Mario Quintana. O prédio rosa mais famoso do Rio Grande do Sul é um grande centro cultural e abriga o Museu de Arte Contemporânea (MAC). Relíquia arquitetônica, o antigo Hotel Magestic ainda preserva o quarto onde morou o poeta Mario, com todas as coisinhas dele – não sei até que ponto – que a gente olha através de uma parede de vidro. Tem o espaço dedicado a Elis Regina, cinema com películas respeitáveis, cursos, oficinas (eu já fiz uma de Pinhole, gratuita), shows, pôr do sol com vista para o Rio Guaíba (clica aqui para o post sobre a golden hour no Mario), sem contar que o prédio ainda abriga feiras de antiguidades e moda e muitos outros eventos. Mencionei o jardim do quinto andar? Então… pega bastante sol, é lindo e altamente fotografável, com vista para as torres da Nossa Senhora das Dores. Estar na companhia do Mario num fim de semana, durante a semana ou quando a chuva aperta no centro, é estar em boa companhia. Andradas, 736.

    4. Boteko Andradas. Pizza deliciosa servida na pedra, ou seja, fica quentinha até o último pedacinho de bacon solto na forma. Falando nele, recomendo a de bacon porque o bacon é pura carne. Ótima pedida para encerrar o dia depois de um programa cultural no Mario. Andradas, 741.

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    Revitalização da Orla do Guaíba | Usina do Gasômetro

     

    A passos envelhecedores, sem nenhuma pressa, vemos alguns melhoramentos sendo feitos na capital do Rio Grande do Sul. A obra de revitalização da Orla do Guaíba ainda não foi concluída, está mega atrasada, mas parte da área do Centro Cultural Usina do Gasômetro foi entregue à população.

    O pôr do sol no Rio Guaíba é patrimônio daqui. É motivo de orgulho para nós termos um dos pores de sol mais lindos e, não poderia ser diferente, é uma das atrações turísticas da capital. Portanto, ter um lugar para usufruir desse espetáculo com segurança e conforto é claro que é tudo de bom. Isso significa, também, usufruir do fato da cidade ser costeada por um rio – quem acompanha o blog já notou que eu me irrito em ver Porto Alegre não aproveitar esse recurso. Em todas as cidades deste mundo que ficam à beira de rios, baías e praias, a área mais valorizada é a região da orla. Menos em Porto Alegre. E esse não é um problema que envolve somente questões políticas. O porto-alegrense em geral não gosta de mudanças. Para conseguirmos aprovar melhorias nos espaços é um deus nos acuda.

    Mas um fato que nós não podemos negar é: gente atrai gente. Se ao menos os próprios moradores da região da orla frequentassem a área, isso atrairia mais gente. Só que a orla de Porto Alegre é assim, digamos… uma terra sem lei. Abandonada, sem estrutura nem segurança, não há movimento e, então, como os moradores fariam suas atividades por ali? Atraindo espaços de lazer, comércio e até mais empreendimentos imobiliários, tornaríamos a área mais habitável e, portanto, mais usável, durante todos os dias da semana e, inclusive, nos horários noturnos. Teríamos mais pessoas trabalhando – olha a geração de emprego aí, gente. E outras tantas morando na região que, ao retornarem para casa após o trabalho, ainda teriam segurança para realizar suas atividades na rua, seja uma caminhada ou ir ao supermercado. Faríamos circular vida pela área atraindo até pessoas de outros bairros. Isso nos tornaria mais interessantes inclusive para o turismo, outro ponto no qual o porto-alegrense não está muito interessado.

    Não estou falando de um trecho específico. Estou falando de mais de setenta quilômetros de orla, gente.

    Pois bem. Dito isso – pois Porto Alegre precisa desse debate e também de um resgate, urgente – eu compartilho aqui meus registros das novas instalações, que fiz quando estive por lá há algumas semanas, pouco depois da entrega. Uma tarde daquelas, com um céu daqueles, com o pôr do sol sensacional de sempre.

     

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    Guia 24 horas em: Porto Alegre

     

    Eu só posso não estar bem mesmo. Criar uma série de posts com ideias para passar 24 horas em cidades que oferecem um mundaréu de opções culturais, gastronômicas e turísticas (as pequenas e tranquilas cidades também terão o seu).

    Mas vamos lá, pois se não são os desafios a vida fica sem graça.

    Quando comecei a pensar sobre o assunto, o que primeiro me ocorreu foi: Estas 24 horas seriam pra quem? Quem é essa pessoa? Alguém que nunca esteve lá, uma pessoa que até já foi ou um morador local? Então compreendi que o personagem principal é a própria cidade e o pano de fundo são as 24 horas. Ou seja, independe da pessoa. Dito isso, que impressão alguém poderia carregar depois de transcorridas as 24 horas? Que cheiro marcante ficaria da experiência? O que teria visto que não se repetiria em nenhum outro lugar?

    De repente, entendi tudo.

    No Guia 24 horas não há distinção entre dias de semana e finais de semana e as atividades condizem com os períodos do dia e não necessariamente com horários rígidos e oficiais. Ou seja, confira data e horários de funcionamento dos locais para o seu planejamento.

     

    PORTO ALEGRE | RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

    7h30 | Bom dia! Vista a manta e a touca de lã ou coloque uma regata e chinelos, depende de como a cidade acordou hoje.

    8h | Comece com um café da manhã na Lancheria do Parque, tomando o suco natural especialmente servido na jarra do liquidificador.

    Atravesse a Av. Osvaldo Aranha com toda a atenção voltada para suas palmeiras imperiais enfileiradas, lembrando da avenida Mulholand Drive do filme Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Eu sempre lembro.

    Caminhe pelo Brique da Redenção e aproveite toda a vibe que a simbiose parque-feira-pessoas proporciona. Ande na roda gigante do Parquinho da Redenção para uma visão privilegiada do topo das palmeiras e prédios da Osvaldo Aranha e do verde do Parque da Redenção.

     

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    O velho cais de Porto Alegre

    Enquanto o sonho de um cais revitalizado e valorizado do jeito que Porto Alegre merece não se torna realidade, eu deixo aqui alguns registros que fiz em março de 2017 desse lugar mágico e icônico. Digo isso porque, ao contrário de muitas comunidades que se desenvolvem às margens de rios e que celebram essa proximidade tendo boas relações com ele, aproveitando ao máximo essa troca, Porto Alegre ainda não aprendeu a ser uma cidade “ribeirinha” – sim, todos nós estamos cientes de que o bom e velho Guaíba na verdade é um lago, mas é um senhor lago, com toda a capacidade de nos proporcionar uma qualidade de vida melhor. Então, pra mim, o Cais Mauá carrega essa aura de que poderia ser muito mais do que é. Seus portões guardam muito da história da capital e o que está por vir, se concretizado, pode inspirar uma metrópole inteira, a viver melhor e de forma mais intensa sua cidade.

     

    Não é só a altura que a água atingiu na enchente de maio de 1941 que deixou marca na parede de um dos armazéns. Teste de cor com três faixas de tinta indicavam a intenção de revitalização. Eu voto no mais claro, bem à esquerda. Tomara que tenham escolhido esse! Imaginem esse amarelo clarinho virando dourado na hora daquele pôr do sol deslumbrante que só a capital gaúcha consegue pintar. 

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    Meu Iberê

    A intenção aqui não é apresentar ou falar sobre o artista Iberê Camargo. Acho que ele dispensa isso. O que eu quero mostrar, como sempre faço aqui, é o meu olhar sobre o espaço que leva o nome do artista. Eu adoro aquele lugar, e acho que talvez eu consiga fazer vocês entenderem por que causa, motivo razão e circunstância eu adoro aquele lugar. Eu vejo arte pra qualquer canto que eu olho. Vocês vão ver que, literalmente, é qualquer canto. O canto da parede. O canto das vigas. O canto da janela. O canto das rampas. Retas, curvas, vincos, rasgos, luzes, tons, penumbras. Formas, formas e mais formas.

    Amo.

     

     

     

    Talvez, antes de continuarmos, caiba dizer que a Fundação Iberê Camargo foi desenhada pelo arquiteto português Siza Vieira, que arrebatou dois prêmios com ela. Está de portas abertas desde maio de 2008 e tem vista para o acontecimento natural que é patrimônio mundial: o pôr-do-sol no Guaíba. 

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    O décor histórico da Biblioteca Pública de Porto Alegre

     

    Era novembro de 2013. Como uma apaixonada por decoração – e por artes gráficas e coisas impressas – compro a revista Casa Vogue e não acredito no que vejo. A Biblioteca Pública de Porto Alegre estampada na capa e em fartas páginas internas. Eu ainda não conhecia e tive de esperar longos 8 anos de reforma pra isso, ou seja, morria de curiosidade pra saber como era esse prédio emblemático. Então, nesse meio tempo, tive de me contentar com o ensaio editorial de produtos de mobiliário com a biblioteca como cenário. Só que a revista tinha aplicado um filtro verde nas fotos, escurecendo os espaços, e isso só me deixou mais curiosa. Quando ela finalmente reabriu… imaginem eu entrando com um olhar de oh my god! E eu tentava disfarçar, afinal, tinha gente trabalhando lá todos os dias, acostumada a toda aquela beleza. Iam achar que eu tinha vindo de alguma realidade paralela. Não, eu não tinha nem uma câmera em mãos pra fingir que era turista.

    A tinta descascada na parede revelando desenhos espetaculares por debaixo é de assustar. Mesmo quem não sabe da história percebe que aquela tinta não representa boa coisa. Quis entender mais sobre o prédio, a tinta, os desenhos e tudo o mais que pudesse absorver. O que eu fiz? Fiz o que se faz em uma biblioteca. Peguei dois livros sobre a história do prédio, sentei junto