• Dois Irmãos,  Gramado,  Por aí,  Serra Gaúcha

    Serra Gaúcha: nevoeiro nas estradas. Como lidar?

     

    Você está subindo a serra gaúcha com o objetivo de conhecer Gramado, Canela e tudo que os altos campos de cima da serra têm a oferecer. Só que quando começa a subir mesmo, um nevoeiro, uma espécie de cerração, te impede de enxergar a um palmo diante do nariz. É o que acontece, e muito, na região, principalmente nesta época do ano.

    Não bastasse o nevoeiro, as estradas que te levam morro acima são de mão dupla, com curvas sinuosas, estreitas, com trechos beirando os barrancos e tráfego até de carretas, sem mencionar os motoristas altamente confiantes, que descem lomba abaixo em velocidades inacreditáveis.

    A melhor coisa que você pode fazer por você, pela sua família e pelas pessoas ao redor é dar um tempo. Volte uma casa no jogo da vida e você estará colocando a segurança para vencer. Mas nem por isso sua viagem ficará menos interessante. Aqui vão algumas opções do que fazer para não perder tempo e aproveitar do mesmo jeito o período da nuvem branca, com dicas em duas cidades: Ivoti e Dois Irmãos.

    Geralmente, para quem sobe pela BR 116, a névoa começa a ficar mais densa na altura do município de Morro Reuter. Então, volte um pouco no mapa (ilustrado ao final do post).

     

    > IVOTI

    Não faltam espaços que tentam te conquistar, e conseguem com sucesso, nesta cidade que é pura história, também conhecida como a Cidade das Flores.

     

    Faça um tour histórico guiado – na parte baixa da cidade

     

    Gente, vale muito a pena, não demora nadinha e você ainda vai chegar em Gramado sabendo tudo: da arquitetura das casas alemãs ao modo de vida dos imigrantes. Vá até o Bairro Feitoria Nova e solicite uma visita guiada no setor de

  • Morro Reuter,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    O planeta singular da Anelise Bredow

    A Anelise Bredow é uma dos vários artistas que se estabeleceram na cidade de Morro Reuter, na serra gaúcha, e que integra o Caminho das Artes da região, com vários ateliês que podem e devem ser visitados. Em breve, farei um guia do que fazer na cidade pois não é pouca coisa, não.

     

     

    As peças da Anelise carregam um estilo bem próprio. Singular é a palavra. Quando criança, Anelise era fascinada pelas pequenas pecinhas que existiam dentro dos aparelhos de rádio e TV que o pai consertava. Tinham formas estranhas e eram coloridas. A partir daí, um mundo de experimentações se abriu diante dela e então surgiu essa linguagem interessante com seres de formas e cores bem características de sua assinatura.

     

    Adoro os enfeites com palavras. Perfeitos para pendurar no puxador do guarda-roupa, na fechadura da porta e como presentes também. 

  • Morro Reuter,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    O mundo encantado da Claudia Sperb

    “Se viver é dor, eu quero o meu troco em poesia.” Foi parafraseando o cantor Itamar Assumpção que a Claudia começou a conversa com nosso grupo de visitantes em seu atelier e, então, naquele momento, eu não queria saber de mais nada. Nem de fazer a atividade com os mosaicos que ela tinha proposto. Eu queria era passar o dia ouvindo ela falar.

     

     

    A Claudia Sperb é um tipo de artista que ela própria é a obra em si. Ela é uma poesia ambulante. É puro coração. E essa poesia e esse coração parece que explodiram na casa-parque-instalação-atelier dela. O lugar é lindo, o verdadeiro país das maravilhas. Fica em uma área de mata atlântica onde podemos ver macacos saltando entre as copas das árvores, enquanto a Claudia olha e diz: Não é melhor eles assim? Livres?

    Passeando pelo parque, a gente enxerga a Claudia em tudo. No lúdico, nas brincadeiras, no feminino, na força que é esta mulher enquanto criadora e guardiã de tudo aquilo e, ao mesmo tempo, nos gestos delicados e na sensibilidade para as questões da vida. Os mosaicos, tão naturais no nosso dia a dia que nem notamos. Como nosso sorriso, um conjunto de várias pecinhas, ou mesmo o teclado em que digito este texto, um mosaico de teclas, ou até mesmo nosso mural virtual de fotos nas redes sociais, aquele mosaico sem fim. As várias pessoas da nossa vida formam um mosaico. Na infância mesmo, quantas brincadeiras envolvendo mosaicos, o próprio Lego ou aquelas pecinhas em madeira com telhados vermelhos, para construirmos cidades inteiras. A própria ideia que ela propôs ao nosso grupo, de criarmos peças para um grande mosaico, em que muitas mãos já são um mosaico de colaboração em si. Mosaicos são o coletivo, o junto, o de pouco em pouco. São a vida.

    E as serpentes são um capítulo à parte na história da sensibilidade da Claudia. Quando criança, perguntou à avó o que eram as flores.

  • Farroupilha,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    Parque do Salto Ventoso em Farroupilha – As ruínas e os pets

     

    No primeiro post sobre o Parque do Salto Ventoso eu mostrei a cachoeira e outras belezas naturais encontradas por lá – cactos ♥. Se você ainda não leu, clique aqui para conferir, porque hoje eu quero mostrar os registros que fiz das ruínas de uma casa construída nos anos 50 por uma família chamada Aguiar, que ficam ali mesmo, no parque.

    Parece que ela tinha cinco quartos e dois salões de festa, um deles com cozinha e banheiro próprios. Adorei o jeito que a natureza decorou o que sobrou de, suspeito eu, um banheiro, emoldurando a parede de azulejos azuis com espécies de samambaias e eras.

     

     

    A casa foi construída numa área que já foi a maior sesmaria do Rio Grande do Sul, por volta de 1885. Sesmaria era a área não ocupada, por vezes até abandonada, que era repassada do Império para os colonizadores. Um hábito trazido de Portugal para facilitar a “domesticação” de um território tão gigantesco como o do Brasil. A área também já pertenceu a um vice cônsul da França no Rio de Janeiro.

    Bom, independente de quem tenha morado ou a quem tenha pertencido,

  • Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    O Desafio Jovem que leva Três Coroas para além do Templo Budista

     

    Enquanto eu conhecia o famoso Templo Budista em Três Coroas ficava pensando, nossa, acho que isso dá um post com os detalhes do décor e tudo mais. Como não havia uma programação de atividades por lá no horário em que eu estava pois era fim de tarde, como vocês podem perceber pela luz nas fotos, o que restava era acompanhar o grupo de pessoas que estava lá para conhecer, olhar os monumentos, visitar os templos e contemplar a natureza. E tirar fotos, claro.

    Pois mal sabia eu que, depois dessa bela visita, de volta ao centro da cidade, eu ainda fosse encerrar meu dia com uma boa notícia. Na verdade, não imaginava encontrar uma jóia rara logo ali. Foi como num episódio dos Simpsons. A história começa com um determinado assunto e, quando você menos espera, a trama já é outra.

    Meu namorado e eu temos um ritual pra conhecer uma cidade que é passar um tempo agradável na praça principal, tomando chimarrão e observando o que acontece, as pessoas, os costumes, o ritmo. Pois na praça central de Três Coroas perguntei a uma mulher onde poderíamos comer salgados, doces, coisas de padaria e café – na verdade eu estava louca por um quindim- e ela “sim, tem um lugar maravilhoso, o Desafio Jovem, fica ali assim, dobrando mais adiante, indo reto, segue toda vida…”. Enquanto nos deslocávamos até lá, ficávamos repetindo que o nome era estranho pra uma padaria ou um café, como assim, Desafio Jovem? O que tem a ver?

    Chegamos e logo vimos que, ao lado, grudada na padaria tinha uma pizzaria, e que a padaria não era só padaria, era um mercadinho. E vimos que as verduras, algumas orgânicas, tinham preços absurdamente baratos. E começamos a fazer as compras

  • Farroupilha,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    Parque do Salto Ventoso em Farroupilha – A cachoeira

     

    Foi lendo o jornal no hall de entrada de um restaurante em Farroupilha que ficamos sabendo da cachoeira do Salto Ventoso. Só que conhecer ao vivo mesmo aconteceu muito depois, no verão deste ano. Estava absurdamente quente. Parecia que estávamos naqueles desenhos do Pica Pau, em que o jacaré tenta fazer uma sopa com ele, e começa a picar cenoura e o Pica Pau acha que é algum tipo de banho especial de spa. E, ainda por cima, estava nublado. Então, se você for conhecer essa beleza no alto verão, prepare-se para o forno pré aquecido a 40 graus e a umidade. Do local e sua. Prepare-se também para a pouca vazão na cachoeira, o que não reduz em nada a beleza dela. É tudo muito lindo. Não há o que supere as belezas naturais seja lá de onde for, não é mesmo?

    Mas nem só de cachoeira vive o parque. Há diferentes vistas que se tem a partir dali, como o vale verde à frente da cachoeira, lindo. Há trilhas que levam a vários pontos de visitação, como as ruínas de uma antiga casa, tomadas pela vegetação, que mostrarei em breve, em outro post. Além disso, o parque fica numa região que há muito foi habitada por tribos indígenas. E a gente fica sabendo disso por placas explicativas que muito me surpreenderam pelas informações, o que faz do Parque do Salto Ventoso diferente de outros locais que eu já visitei aqui no sul que serviram de residência para os índios. A escassez de informação parece ser um padrão. Então, fiquei positivamente surpresa. Porque turismo é isso, é também

  • Morro Reuter,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    Alles Antiquário em Morro Reuter | RS

     

    Uma das coisas que eu adoro na serra gaúcha são os antiquários de beira de estrada. Não tem emoção que se iguale a de estar passando e, de repente, ver surgir um antiquário – pelo menos pra quem adora velharia e decoração como eu.

    Só que mais interessante do que os móveis e os objetos em si é a composição deles no espaço, em como eles estão arranjados em conjunto. O que é um prato cheio pra quem adora fotografar.

    O último antiquário que encontrei foi o Alles, que fica em Morro Reuter. E pelo que vi

  • Por aí,  Rio Grande do Sul,  Santa Maria do Herval,  Serra Gaúcha

    Sábado perfeito em Santa Maria do Herval | RS

     

    Santa Maria do Herval é um município do estado do Rio Grande do Sul que fica a apenas 24km de Gramado e a 75km da capital, Porto Alegre. É o tipo de cidade que eu adoro visitar no final de semana quando estou a fim de passear sem me alongar muito na estrada e sem ficar sob o estresse de muito agito. Contato com a natureza é o que Santa Maria do Herval tem a nos oferecer. Além de muita relação com sua história e suas origens.

    A apenas alguns metros ou a poucos quilômetros do centro da cidade temos 4 cachoeiras esperando por nós, sendo que uma delas, a Cascata do Herval, tem 125 metros de queda. Ou seja, é beleza natural pra tudo que é lado. Fiquei muito empolgada em conhecer esta bem alta. Quando comentei com o garçom, ele me desaconselhou, porque não há um caminho bem definido e orientado até ela. Precisaríamos de um guia para chegarmos até lá. Então, por orientação dele, fomos conhecer a cachoeira da Caverna dos Bugres, que fica a apenas 500 metros do restaurante da Igreja.

    Esta cachoeira e outras atrações que eu vivenciei na cidade estão em destaque no mapa ilustrado que fiz especialmente pra mostrar como o seu dia pode ser agradável por lá. Então, vamos a elas:

     

    Cachoeira Caverna dos Bugres

    Ela fica distante apenas 500 metros da Paróquia Santa Maria do Herval. Fomos caminhando até lá. Uma caminhada ótima, pós almoço, aquela própria

  • Nova Petrópolis,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    A preocupação estética do povo da serra gaúcha

     

    Eu prometi e hoje vou cumprir. Eis aqui o post especial feito pra compartilhar e registrar e imortalizar a beleza que encontrei no caminho que leva até a árvore milenar, aquela que mostrei no primeiro post de 2017 e que fica na Linha Imperial do município de Nova Petrópolis, na serra gaúcha – o post sobre esta árvore fabulosa você pode ver clicando aqui.

    Gente, a sensação térmica era de uns quarenta graus e a estradinha de terra denunciava alguns lagartos atravessando de um lado pro outro, o que me deu um pouco de pânico. Não conseguia descer do carro pra fotografar, travada. Abria o vidro, vinha aquele bafo quente, e eu clicava dali do banco do carona mesmo. Até que

  • Nova Petrópolis,  Por aí,  Rio Grande do Sul,  Serra Gaúcha

    Uma senhora árvore com corpinho de folhagem

    O primeiro post de 2017 tem vários aspectos dignos de um primeiro post de 2017. Tem contraste, porque 2017 é um ano novo em folha, numa era ultramoderna e tão tecnológica, enquanto que o post traz justamente algo muito mais velho que muita coisa neste mundo. O post também fala de algo natural, e eu adoro retratar a natureza, e também sobre espiritualidade, força e energia.

     

    arvore-milenar-3

     

    arvore-milenar1

     

    Por mais que eu já estivesse no caminho de estrada de chão que levava a este monumento da história, por mais que todas as placas indicassem o que estava por vir, quando eu fiquei frente a frente com as raízes da araucária de quase mil anos e 45  metros, deu vontade de me curvar. Sério, parecia que aquilo pedia uma reverência. Pura energia. Era uma santidade, era uma autoridade. E eu tenho profundo respeito pelos mais velhos.