DECORAÇÃO,  Decorar,  jardim

A natureza me ouviu e mandou uma begônia de presente

Além de andar pelas ruas olhando dentro das caçambas de entulho, eu também ando pelas ruas observando as plantas do caminho. Quando mais uma vez levava o Rogerinho para passear, passei pela antiga garagem onde deixávamos o carro, olhei através da grade e levei um susto. Uma invasão de begônias crescendo sobre muros, fendas no concreto, pedras. Todas demasiado floridas, afinal, é primavera.

A partir daquele momento começo a bolar um plano para conseguir uma muda, ou algumas, de tantas que tinha. O lugar é daqueles que não tem uma campainha, um interfone, nada, e nunca vemos ninguém. Só na base da sorte para encontrar uma pessoa.

Passavam os dias – porque é isso que eles fazem –, o Rogerinho marcava e remarcava território por ali e nada de gente alguma aparecer. Então a natureza percebeu a minha angústia e uma begônia brotou na calçada, do lado de fora.

Olha só, a enviada, resistindo bravamente a tudo e a todos. Voltei munida com uma pequenina pá daqueles kits de jardinagem que a gente compra achando que vai usar muito mas não usa nunca.

Enquanto realizava a cirurgia, ouvi meu marido dando explicações para alguém. Pois é, um ser humano brotou do lado de dentro do estacionamento e se deparou com a cena: uma pessoa agachada na calçada fazendo sabe-se lá o quê. E não é que o ser humano simpatizou com a minha luta e perguntou se eu queria mais, apontando para todas aquelas begônias que reivindicavam o espaço do estacionamento?

Mas eu sei do que se tratava. Eram os céus testando até onde ia a minha ganância. Agradeci e me dei por satisfeita por aquilo que me foi destinado.

Ao fim da empreitada eu tinha 4 partes dela. Uma praticamente inteira, a parte maior, uma menor também com folhas e raízes, uma pequena parte que quebrou, ficando sem a raiz e a parte com a raiz desta que quebrou. Plantei todas.

Não sei como ela conseguiu se desenvolver numa rachadura do concreto da calçada, quase sem terra. Fiquei torcendo para que se acostumasse ao luxo de um vaso de cerâmica com muita terra preta, sem xixi de cachorro, pisoteadas e mordidas de insetos : D

Dia 19 de novembro, à noite. Flores ainda fechadas.

Na manhã seguinte, flores abertas e rostinho no sol.

26 dias depois: As quatro partes estão “pegadas”, gostaram da nova casa e estão brotando.

No detalhe da foto, a parte quebrada que ainda tinha uma pequena folha e que plantei mesmo assim. Na foto seguinte, como ela está hoje:

Corri para o livro das plantas a fim de entender de que espécie de begônia se tratava. Só que acontece o seguinte: já ouvi falar que existem mais de 1.400 espécies de begônia. É um bocado de coisa e o livro seleciona apenas as que podemos encontrar com mais facilidade no Brasil, mesmo as exóticas.

Pois de acordo com a consulta, a que mais se parece com a enviada é a begônia-big, resultante de um melhoramento genético feito nos EUA. Digo que é a que mais se parece porque a edição aponta que suas flores são rosas e vermelhas, sendo que as flores da enviada são brancas, com um furta-cor rosado bem fraco. O restante das características se assemelha muito.

Pode ser cultivada em canteiros, a pleno sol, em terra rica em matéria orgânica e sempre mantida úmida. A única diferença no cuidado que ofereço é ficar na sombra e não no sol direto. Mas apenas tentei reproduzir a atmosfera em que ela se desenvolveu. Na calçada ela ficava na sombra. Porém, de acordo com a publicação, ela tolera a meia sombra, que é o que está acontecendo desde que encontrei ela. Então farei a experiência de colocá-la sob o sol, porém, protegendo do horário mais forte, pelo menos no começo dessa transição de luminosidade.

E você, tem begônia em casa? Já resgatou alguma da rua? Conta aí nos comentários.

Volto a qualquer momento com mais informações.

Fotos e texto de minha autoria, Juciéli Botton, para a Casa Baunilha.

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