A CASA

As nêsperas do pátio e a experiência com os saquinhos protetores

Ser criativo, inventivo, fazer experiências e observar a natureza são algumas das maravilhas que a vida no campo, e até mesmo a vida no jardim de casa, podem proporcionar. E há algumas semanas, publiquei um texto compartilhando o uso dos saquinhos protetores nos frutos da nespereira do quintal. Só que conforme o tempo foi passando, pude observar alguns fatores que fizeram eu voltar aqui e atualizar a postagem.

A nêspera é uma das minhas frutas preferidas e foi uma grata surpresa encontrar a árvore no quintal, quando viemos visitar a casa com o corretor antes da compra. Isso ocorreu em Janeiro e, durante o inverno, vimos ela florescer e começar a lançar os primeiros frutos. Beija-flores adoravam visitá-la, assim como as abelhas. E bem antes da chegada da primavera muitos frutos já estavam maduros.

A nêspera não é uma fruta que encontramos pelos supermercados do Rio Grande do Sul. É uma fruta de quintal. Quem tem o desejo de desfrutá-la deve cultivar em casa. Então, meus encontros com a fruta sempre ocorreram nas casas das pessoas. Geralmente árvores com aspecto de que não recebiam manejo. Por isso, o visual era sempre o mesmo: uma árvore lotada de frutos, só que pequenos, já bicados pelos pássaros e dominados pelos mosquitinhos das frutas.

Por isso, sempre arranquei os frutos mais cedo do que o ideal para poder comer. Menos mal que gosto de frutas mais ácidas. E por essa razão, decidi que desta vez, na minha nespereira, cujo processo de frutificação consegui acompanhar desde o início, tentaria algo diferente para colher frutos íntegros e um pouco mais tarde, mais doces.

Para isso, utilizei os saquinhos de TNT protetores de frutos. Quando as nêsperas atingiram um tamanho considerável, mas ainda verdes, amarramos os saquinhos. Cobrimos vários frutos dentro de uma mesma peça, mas sem exagerar na quantidade para terem espaço para crescer.

Resultado: as nêsperas dos saquinhos cresceram um absurdo e chegaram a ficar alaranjadas.

Os sacos protetores no pé da nespereira, de nome científico Eriobotrya japonica.

Nêsperas graúdas e íntegras.

Só que com o passar dos dias e das semanas, notei que muitos frutos que não foram ensacados cresceram tanto quanto aqueles que estiveram cobertos. E mais suculentos e saborosos.

Algumas das primeiras nêsperas que colhemos dos saquinhos eram doces enquanto outras não tinham gosto. Passado mais um tempo, na medida em que mais frutos amadureciam, confirmávamos que a maior ocorrência de frutas com o gosto típico da nêspera se dava fora dos saquinhos. Ou seja, pudemos observar que a fruta precisa tomar o máximo de Sol possível para desenvolver o seu sabor pleno.

E quanto ao tamanho, os sacos também não operaram milagre porque simplesmente a nespereira que temos produziu frutos graúdos, dentro ou fora dos protetores, pelo menos nessa nossa primeira safra.

Um outro detalhe sobre a quantidade de Sol: as nêsperas do lado Leste da árvore não cresceram. Ficaram como na maioria das nespereiras que sempre encontrei por aí. Lembrando que no Leste temos o Sol nascente, o mais fraco. Os grandes frutos cresceram no Norte, no Oeste e no Sul. No Sul é intrigante porque, teoricamente, é uma porção do espaço que não toma Sol. Só que a árvore é bem arejada, aberta, não possui uma copa fechada e por isso os frutos que cresceram ao Sul conseguiram pegar o Sol do Oeste, justo o mais forte. Ou seja, pela observação percebemos que é preciso que o Sol bata direto no fruto para termos nêsperas com o seu sabor característico.

A nêspera não é uma fruta doce como a atemóia, por exemplo, que parece um leite condensado, chegando a enjoar quem tenta comer uma inteira. A nêspera tem um sabor mais ácido e o saquinho barrou o Sol e tornou o fruto insosso, nem doce e nem ácido. Eu, particularmente, não gostei, e isso que adoro chuchu.

Esses frutos foram tirados dos saquinhos, mas a nespereira produziu frutos enormes também sem a proteção.

Os saquinhos sobreviveram a chuvas torrenciais e de granizo, ventos fortes e muito Sol. Só que se você deixa tempo demais, ou seja, se acaba perdendo o tempo de retirada, eles vão se desfazendo e podem terminar em mil pedacinhos espalhados pelo pátio.

Conferi a embalagem dos sacos protetores e ela traz uma série de informações de que é benéfico o uso pois além de evitar ter que usar agrotóxicos, oferece a quantidade de Sol ideal para o fruto. Dessa forma, concluí que os sacos protetores podem ser úteis durante o verão escaldante, em que alguns frutos podem queimar, dependendo da incidência solar que recebem. Como se trata do final do inverno e início da primavera, a proteção acabou barrando muito mais do que deveria e o fruto não conseguiu desenvolver o seu sabor.

Sabendo que toda planta é resultado do ambiente, podemos concluir algumas coisas. Essa nêspera possui uma gama de condições favoráveis para a criação de frutos graúdos e, ainda assim, saborosos, de forma natural, ou seja, sem a intervenção de sacos protetores. A quantidade de horas de Sol pode ser um fator, pois ela não fica sob a sombra de outras árvores. A qualidade do solo também influencia. O movimento de pássaros no quintal é grande e, além disso, quando nos estabelecemos aqui, a galinha do vizinho já tinha o hábito de pular o muro e ciscar no nosso pátio. Ela (e talvez outras) fertilizou o solo com o esterco. Também tem o fator da irrigação. A nespereira fica numa área que alaga em períodos de grande volume de chuva e isso pode ser benéfico pra ela. E também há bastante circulação de ar no local. Além de ter poucos galhos, a árvore é bem arejada.

Considerando a questão da época do ano em que cobrimos os frutos, vou seguir fazendo experimentos nesse sentido. No auge do verão, vou escolher alguns frutos  que sofrem com a insolação, como o tomate e o pimentão, para fazer o teste do sabor. E claro que vou compartilhar aqui as descobertas.

Conta aqui nos comentários se você também gosta de nêspera, se faz uso de alguma proteção para os frutos e como é essa experiência ; )

Fotos e texto de minha autoria, Juciéli Botton, para a Casa Baunilha.

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