
Transplantei pela segunda vez a minha aloe vera. Ela gostou tanto do novo lugar que, além de ter ficado mais vívida, virou uma fábrica de fazer mudas. Estou ficando sem espaço para tantas.
Em uma postagem anterior, compartilhei o primeiro transplante dela. Aqui em casa, ela permaneceu no vaso que veio da floricultura por muito tempo e sob sol pleno. Foi ficando com as folhas queimadas, com cor de ferrugem, ressecadas nas pontas, chegando a lançar flor, um forte indicativo de que está acelerando o ciclo de vida por não poder se expandir para além do vaso. O primeiro local escolhido foi um canteiro que estava sendo criado. Ela foi plantada ao lado de um tronco de amoreira que foi cortado e lançava brotos que deixamos crescer para fazer sombra nela.
Só que, passado um tempo, optei pela retirada total da amoreira e desisti do canteiro. Quando a gente entende que a vida é movimento e que as coisas, sobretudo em um jardim, não são estanques, nos permitimos a experimentação e fica tudo mais leve, mais fácil. E além de desmanchar o canteiro, queria muito observar como a aloe vera se comportaria em um solo hortado, de terra preta compostada, fértil, exatamente os das caixas da horta.
Posicionei a planta no lado leste da caixa, para pegar o sol nascente e a brisa leste. E no lado oeste criei um quebra-vento com manjericões para evitar que a suculenta resseque com as ventanias, filtrar a luz do sol mais quente e fornecer sombra durante o verão.
Os manjericões que compõem a barreira viviam na parte da frente do terreno, junto ao muro. Ao longo da vida, fui avançando nas técnicas de plantio e, também, amadurecendo algumas ideias, e hoje mudo as plantas de lugar sem achar que estou acabando com o planeta. Quando há um ganho para todos, plantas, microvida, macrovida, nós, não há razão para não retirar as plantas de onde estão para viverem em outro lugar. Então não pensei duas vezes e extraí dois manjericões roxos e um verde do jardim da frente para serem o muro verde da aloe vera.

O manjericão é um dos meus aliados no jardim. Pau para toda obra. Adoro trabalhar com ele em praticamente todos os projetos que faço no quintal. Ele é rústico, de fácil pegamento, tolera podas feitas em qualquer época e dia do calendário lunar. Esses manjericões de serviço eu deixo crescerem à vontade, sempre floridos. Eles são dos polinizadores. O ideal para quem quer utilizar como tempero é não deixar florir para não amargar, já que na fase de flor a planta mobiliza toda a sua força, energia e compostos para produzir a flor. Na foto, uma abelha aproveita o manjericão não podado.

É surpreendente: você poda num dia, dali a duas luas você não encontra mais onde foi feito o corte porque já está coberto de brotinhos e novas belas folhas.

As laterais com espinhos, que foram cortadas na última extração de gel de babosa, voltaram para o canteiro, ao lado da Aloe. Não existe o jogar fora, porque não existe o fora. Tudo que descartamos fica aqui, na Terra, onde a gente vive. Apenas tiramos do nosso campo de visão. Quando a gente entende os processos da natureza fica tudo mais fácil. O que o solo deu, volta para ele.

Braços abertos para o céu.

A aloe vera é o aeroporto da horta.

Há sempre borboletas em torno do manjericão, além das abelhas, das incontáveis vespinhas e de uma série de outros insetos desconhecidos. Uma espécie de condomínio muito interessante de observar. Não há tédio.

Na foto da esquerda, a babosa logo após o primeiro transplante e, na da direita, tempos depois do segundo plantio. O solo e a posição solar fazem muita diferença.
E agora quero saber de você: cultiva aloe vera em casa?
Até a próxima postagem ; )
Fotos e texto de minha autoria, Juciéli Botton, para a Casa Baunilha.


