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Recuperei minhas begônias murchas com a rega de emergência

Senta que lá vem história. Uma história sobre mortos-vivos. Esqueça o cachorro, esqueça o gato, minha mãe tem uma Begônia Rex que é, sim, uma integrante da família. Tem mais de 35 anos. Ela teve uma filha, a begônia. Minha mãe disse para eu ficar com ela e, assim, as gerações de pessoas da família se entrelaçariam com as gerações da begônia.

Só que é muita responsabilidade cuidar da Begônia Filha. Então comprei três begônias no supermercado – por que três? por que tanta ganância? porque elas eram lindas, uma vermelha, uma prata e uma malhada de verde e vinho – para treinar o trato com as begônias. E nas minhas pesquisas, todo cuidado era pouco para não molhar demais e apodrecer as raízes.

Esperei que dessem sinais de sede, o que ocorreu logo na manhã seguinte. A vermelha, a maior delas, estava murcha. Tive de colocar um bowl embaixo do vaso para que as folhas ficassem pendentes e não grudassem na geladeira.

Então molhei um pouco a vermelha, com colherinha de chá. Acho que coloquei três. Um dia todo depois e nada aconteceu. Então coloquei mais água, sem calcular muito. Poucas horas depois, estava como nova de novo. Daí aproveitei para regar as outras que, embora não estivessem murchas, a terra do vaso estava bem agreste. No dia seguinte, as menores estavam murchas e a grande também. Concluí, deliberadamente, que havia feito o que a Internet disse para não fazer: afoguei a planta, o que fez as raízes apodrecerem.

Num último fio de esperança, deixei a terra secar bastante. Vai que no meio do processo a planta encontra o equilíbrio ideal entre umidade e secura e volta à vida?

Esperei, esperei, e nada.

Só que descobri mais um fiapo de esperança em mim. Como o não eu já tinha, não é assim que dizem?, então iria atrás da última ação que eu pudesse fazer. Porque era melhor fazer qualquer coisa do que tristemente jogar a planta fora.

Pesquisas depois, encontrei um vídeo que explicava sobre a rega de emergência para recuperar plantas murchas. Mesmo assim, tinha lá minhas dúvidas porque acreditava que minha planta tinha morrido afogada e que o murchismo dela não era de secura.

A rega de emergência nada mais é do que o vaso da planta “tomar um banho de banheira”, de imersão. No caso da begônia, duas horas com o vaso imerso em água, cuidando para que a borda do vaso fique para fora do nível da água. A ideia é que ela se infiltre por baixo do vaso, atingindo todas as partes da planta, e não por cima da terra. Antes de colocar o vaso, pingue poucas gotas de detergente neutro para quebrar a tensão superficial da água, misture bem e está preparado o banho.

Achei uma loucura total para as minhas begônias já afogadas. Mas pensei: qualquer ação é melhor que nenhuma.

E gente, duas horas depois, minhas begônias, as três, a grande e as duas menores, estavam vivas de novo. As folhas se reergueram. Na verdade, elas levantaram por completo ainda depois que as tirei do banho. Deixei elas à noite sobre a bancada da pia, que é de inox, para que a água escorresse bem. Só voltaram para os cachepôs no dia seguinte.

Aqui, alguns registros na UTI, durante a rega de emergência:

 

Este é o vídeo que explica sobre a técnica. É da jardineira Carol Costa, a do programa Louca das Plantas do canal GNT:

Cada planta tem um tempo específico de imersão. O lírio da paz, uma outra espécie que ela mostra no vídeo, fica mais tempo na rega de emergência do que a begônia, por exemplo.

 

Adoro planta com cara vintage e a begônia é uma delas. As partes falhadas e secas são um resquício da sede aguda. Mas que sede, hein? Vai tomar água assim lá no sertão, no deserto. Tá loco. A minha zamioculca toma algumas gotinhas debaixo da língua a cada mês, e olhe lá.

 

Várias folhas novinhas que, se tudo der certo, e no que depender de mim vai, irão substituir as prejudicadas com muita beleza.

 

Usei o bowl de suporte para ajudar com as folhas murchas e acabei gostando tanto da composição que deixei assim mesmo. Virou tendência. Último grito isso.

 

E ela gostou de ficar sobre a geladeira.

 

Agora, uma visão com o drone. Mentira.

 

Tenho esperança de que vou me tornar uma dona de planta melhor, sobretudo com as begônias, seres de muitos sentimentos e gênios. Quero muito que minha casa se torne um lar para a Begônia Filha e que todas elas, a filha e as irmãs postiças, tenham muitos momentos felizes juntas.

Fotos e texto de minha autoria, Juciéli Botton, para a Casa Baunilha.

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