DECORAÇÃO,  Reformar

Escolhendo o revestimento do banheiro: espessura da placa

Quando realizei a primeira grande reforma da vida do meu apartamento, e da minha, confesso que tive mais sorte do que juízo. Escolhi os materiais conforme as informações que eu já tinha (e que não eram poucas) só que, somente na hora do vamos ver é que me deparei com várias variantes, digamos assim. Então, quero compartilhar com vocês, em uma série de posts, todos os aspectos que precisamos levar em conta para a escolha dos materiais da obra, a começar pelos revestimentos de piso e parede, especificamente para áreas molhadas, como banheiro e cozinha, que são os azulejos, os porcelanatos e as pedras. Já, de cara, neste primeiro post sobre a escolha do revestimento, vou falar de uma característica dele que pode arruinar funcionalidades do seu espaço. É pra você entender de vez a importância de levar em consideração todos os aspectos e parar de achar que é tudo uma questão de escolher se vai ser branco ou estampado. Então, hoje, vamos falar da espessura das placas.

 

E S P E S S U R A

Quanto mais espessura, quanto mais profundidade a placa tem, mais resistente ela será. Porém, há revestimentos tão grossos que, ao final da obra:

  • duas pessoas podem não conseguir mais ocupar a mesma área que antes podiam, juntas;
  • pode não ser mais possível abrir as janelas de alavanca;
  • o nível do piso novo pode ficar acima do nível do piso que faz fronteira com ele.

O primeiro e o terceiro problema aconteceram no meu banheiro.

 

Deitei uma placa sobre a outra para você comparar as espessuras de 4 dos revestimentos existentes no mercado. O azulejo é, sem dúvida, o mais fino e, consequentemente, o que ocupa menos centímetros da área útil do seu ambiente. Lembrando que há placas de porcelanato de espessuras variadas. O da foto eu usei na reforma do meu banheiro.

 

Os problemas:

Espaço reduzido | Antes, no banheiro, meu marido podia escovar os dentes em frente ao espelho que eu conseguia passar atrás dele ainda. Hoje, depois do banheiro reformado, isso não é possível. Claro, um outro fator que impede é que agora tem uma porta abre e fecha de verdade – antes era o modelo sanfona – e ela ocupa alguns centímetros quando aberta. Mas, de qualquer forma, nosso espaço vai sempre perder medidas quando trocarmos os revestimentos antigos por novos mais encorpados. Só a argamassa já rouba alguns bons milímetros.

Janela que não abre | Eu pesquisei na internet e encontrei alguns relatos de pessoas que fizeram reforma em suas cozinhas e banheiros e que, depois de tudo concluído, não conseguiam mais abrir as janelas de alavanca. Como a altura do parapeito aumenta com a colocação de um porcelanato de espessura mais alta, não há como baixar a alavanca até o fim. As pessoas, inclusive, se machucam, esmagando a mão. Mas você não precisa “abrir mão” do revestimento que você adorou para que a janela continue abrindo. Converse com o responsável pela reforma sobre a possibilidade de baixar a altura do parapeito ou alguma outra solução que permita a funcionalidade total da janela. Lembrando que isso também pode acontecer com janelas que abrem e fecham na horizontal.

Pisos desencontrados | Antes da reforma, o piso do banheiro ficava perfeitamente nivelado com o piso de taco em madeira do restante da casa. Após a reforma, o nível do piso do banheiro subiu. O pedreiro queria instalar aqueles perfis de transição, para cobrir a área, mas tenho pavor daquilo. Gosto de visualizar os dois pisos se encontrando, sem calombos no caminho ou outro material no meio. Menos é mais. Então, a solução que ele encontrou foi inclinar os tacos próximos, criando uma espécie de rampa.

 

Outras influências:

Outro elemento que sofre influência da espessura do revestimento é o marco da porta, aquela estrutura que fica ao redor, onde ela é fixada. Para entender, pense nas camadas de um sanduíche: tem a profundidade da parede de alvenaria, mais a da argamassa e mais a do revestimento. Se você for colocar uma porta de madeira, o marco dela também será de madeira e sob medida justamente para atravessar todo esse sanduíche e chegar até a superfície do seu porcelanato. Se você quiser encomendar a porta enquanto a reforma está em andamento, peça ao pedreiro que indique com quantos centímetros ficará o total da parede (o sanduíche completo) e, assim, informe à empresa da porta para eles produzirem o marco sob medida. Ou, ainda, espere os revestimentos serem assentados, meça a profundidade total e, então, encomende a sua porta. E só pra você saber: o acabamento, aquela moldura ao redor da porta que cobre a transição do marco para a alvenaria é chamada de espelho de porta, basicamente uma régua estreita de madeira.

 

 

Qualidade acima de tudo:

Como eu disse no começo, quanto mais espessa a placa, mais resistente ela é. As muito finas são mais sensíveis a pancadas. Meu pedreiro conta que há peças tão finas que dá para enxergar a argamassa por trás delas. E se algo cair no chão, o revestimento racha e quebra. Então, é preciso investir em placas de qualidade, acima de tudo. Como também disse meu pedreiro, tem gente que embarca em uma super reforma, de trocar encanamento, refazer layout e tudo mais, que já é trabalhosa e custosa, para depois finalizar com um porcelanato de péssima qualidade. Melhor não fazer isso, gente. Ninguém quer ter de fazer uma segunda reforma, não é mesmo?

Ou seja, nada impede que você coloque azulejos nas paredes, o material menos espesso. Porém, no piso, é necessário um mais resistente devido ao tráfego e às pancadas. E lembre-se: qualidade não é somente espessura maior mas, também, marcas confiáveis. Pesquise.

 

Minha escolha:

A escolha dos revestimentos do meu banheiro, confesso, não ocorreram em função da espessura. Como falei no início do post, tive mais sorte do que juízo. Eu vivi muitos anos com meu banheiro revestido de azulejos pequenos e tudo o que eu queria era reduzir a quantidade de rejunte para que não exigisse tanto trabalho para escovar depois, além de diminuir a área de risco de infiltração. Eu queria placas grandes como as de 60x60cm dos porcelanatos. É possível colocar placas até maiores, como as de pedra natural, mas nem me passou pela cabeça em função do preço e por ser um material muito pesado. As pedras, super espessas, vão bem em ambiente com alto tráfego, como o shopping.

Eu gosto do visual do mármore, da base clara com rajados acinzentados. Só que, como eu disse, placas de mármore verdadeiro não eram uma opção. Então escolhi um porcelanato que imitasse. Fazendo um contraponto com ele, eu queria que a área da pia e do vaso fosse revestida de cimento queimado. Sairia mais barato do que comprar um outro revestimento e seria fácil de alinhar com a espessura do porcelanato já escolhido. Mas fui desencorajada pelos pedreiros com quem falei e acabei comprando os azulejos horizontais, estilo tijolinho. Eu sei, nesta parte eu me contradigo quando falei que queria reduzir a área de rejunte mas, pelo menos, as plaquinhas não cobrem a área mais crítica que é a do box, a área molhada.

 

Nesta foto, a diferença de espessura das placas que escolhi para a reforma do meu banheiro.

 

Na foto 1, nota-se que o porcelanato fica mais saliente. Na foto 2, o rejunte, já colocado, ameniza essa diferença e o box, instalado justamente sobre a transição, esconde grande parte da diferença.

 

Mesmo escolhendo revestimentos que não são dos mais grossos, senti que o espaço reduziu. Com os azulejos antigos, eu tinha um banheiro gigante e não sabia. Porém, os centímetros perdidos não eram tão cruciais assim e deu tudo certo no fim.

 

Para ver como era o meu banheiro antigo, clique aqui. E para conferir o conteúdo especial sobre a escolha do rejunte para a sua reforma, é só clicar aqui. E se você tem alguma dica especial que possa ajudar mais gente na hora de escolher o revestimento do banheiro, compartilha com a gente nos comentários.

 

Em breve, farei mais postagens sobre as experiências com a reforma do meu banheiro e sobre como escolher os materiais para a sua.

 

Fotos, arte gráfica e texto: Juciéli Botton para Casa Baunilha

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