Desenvolvi uma paixão por objetos de louça sem precedentes. E para melhorar, quanto mais brega eles forem, melhor. Vai entender… coisas do ser humano. Na verdade, eu acho que sei exatamente quando essa estranha atração – fatal – começou. Foi na praia, há uns dois anos mais ou menos, minha mãe e eu estávamos em uma loja daquelas de bibelôs decorativos de estilo praiano, desde aqueles peixes de cerâmica para pendurar na parede até os souvenires feitos com conchinhas. De repente, em uma prateleira, o destino me colocou frente a frente com uma concha, tipo a da obra Nascimento de Vênus, somente a parte de baixo dela, pouco maior do que uma mão com os dedos bem abertos, de louça com esmaltação em tons terrosos e esverdeados. Talvez tivesse nascido para petisqueira. Fiquei olhando aquela concha reluzente e pensei: essas peças tem seu brilho e história próprios. Elas merecem ser contempladas, elas merecem um lar. Desde então, me engajei na causa das louças bregas, que se olharmos por uma segunda vez, nada tem de bregas, e decidi que, futuramente, quando eu tiver espaço em uma casa maior, dedicarei um canto à coleção dessas magníficas peças.
















































