Crônicas,  Vida e Carreira

Arraiá em casa

O que era para ser excepcional se tornou especial. Fazer a festa junina em casa devido à pandemia me levou para a cozinha, em que só vi vantagens. Os quitutes juninos ficaram com gostinho caseiro e, ainda por cima, do jeito que eu gosto, como o pé de moleque feito com amendoim cru, ainda com a casca, e leite condensado, receita da minha mãe.

Só que a Festa Junina de 2020, celebrada em casa, não se torna especial somente pelo sabor dos quitutes, mas também e, sobretudo, por proporcionar um momento de trégua, de leveza para compartilharmos com quem dividimos a casa e as agruras desta pandemia.

Enquanto preparava a festa, lembrei da expressão “despamonhalização da vida” criada pelo filósofo Mario Sergio Cortella. Paramos de fazer pamonha, uma simbologia para dizer que paramos de conviver. Para fazer pamonha é preciso ter a família inteira envolvida porque o processo é longo e possui inúmeras etapas. Ao final, pamonha pronta mas, acima de tudo, o estar junto, o convívio. E com o processo as crianças aprendem que para se ter as coisas, ou para que as coisas aconteçam, elas levam um tempo, elas requerem um processo.

Celebrar a festa de São João em casa é passar por todos esses processos, da feitura dos pratos deliciosos – planejar o que será feito, escolher os ingredientes, prepará-los, esperar ferver, esperar assar, esperar secar, esperar esfriar – até a criação da decoração e do figurino – remendos, bigode, pintinhas, blush bem marcado na bochecha, tranças.

Neste momento, não podemos estar todos juntos fazendo pamonha mas podemos refletir sobre isso. Justamente quando está difícil conviver sob o mesmo teto, 24 horas por dia, se faz necessário trazer um pouco de leveza e alegria por meio da celebração.

Comemorar a data junina em casa também é uma forma de mantermos a sanidade neste período tão difícil, pois se trata de uma tradição. Todo ano celebramos o São João e continuar com esta cultura, neste ano, é uma forma de percebermos que nem tudo está perdido e de sentirmos que ainda temos o controle sobre alguns aspectos da nossa vida.

Em breve publicarei as receitas que fiz para o meu arraiá em casa. Tem bolo de milho feito com leite de coco, pé de moleque de leite condensado e quentão de pinga, bem caipira, além de outros quitutes que agreguei ao cardápio.

As bandeirinhas CALMA da foto são reaproveitadas. São as mesmas que criei para uma publicação do blog que escrevi em 2015. Desejava calma. E sigo desejando. Calma é um estado emocional coringa, vai bem com tudo. Quem puder, quem tiver condições, deve investir em calma.

Foto e texto de minha autoria, Juciéli Botton, para a Casa Baunilha.

 

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