
Faz alguns posts que venho compartilhando por onde andei em Florianópolis em maio deste ano. Foi uma viagem que eu costumo chamar de viagem de reconhecimento de território. E como em qualquer viagem, há sempre aquele momento que nos leva para além das belas paisagens e outras concretudes da cidade. O momento do choque de realidades.
Quando meu marido e eu viajamos a gente sempre programa um dia, ou pelo menos um período, para fazermos uma caminhada em uma região específica, que seria o que nós faríamos na nossa cidade, sem nos preocuparmos com lugares para ver e conhecer, nada disso. Só para sentirmos como é estar ali, como seria pertencer àquele lugar. Uma coisa de feeling mesmo. Então, em Floripa, depois de conhecermos, no lado continental, a Praça de Coqueiros, o Salão de Festa das Bruxas de Itaguaçu e a Via Gastronômica de Coqueiros, estacionamos o carro pouco depois de passarmos por baixo da Ponte Hercílio Luz, ainda em restauro, e seguimos caminhando pela Av. Beira-Mar Continental. A minha intenção nem era ficar registrando, mas o desenrolar da coisa me surpreendeu tanto que não resisti.
A sensação de segurança era muito forte. Na medida em que avançávamos, escurecia ainda mais – era fim de tarde e, ainda por cima, estava nublado – e mais gente surgia para caminhar e fazer atividade física. Famílias, casais, crianças, meninas andando de patins e sozinhas, pessoas com seus cachorros. Para mim, que vivo em Porto Alegre, onde todo mundo entra em cárcere privado depois das sete horas da noite, o que se mostrava diante dos meus olhos era algo inacreditável. Sobretudo porque no início fiquei um pouco receosa. Aquela área, por incrível que pareça, não tem muitos bares e restaurantes, ou outros estabelecimentos que pudessem estar abertos, que é o que a gente acha que vai encontrar quando se está numa orla, ainda mais em Florianópolis. Se trata de uma área mais residencial e já estava tudo fechado naquele horário, que flertava com as sete horas da noite.
Ao final da pista para caminhada, há aquelas ilhas para exercício, as academias ao ar livre, junto a um parquinho onde muitas crianças aproveitavam. Era domingo e, quanto mais