• Crônicas,  Vida e Carreira

    5 pessoas que eu achava que era e descobri que não sou

    A gente passa a vida sabendo que nossa cor de cabelo é castanho-claro e de repente a vida diz “não, não, querida”, e tudo que resta é nos curvarmos ao fato de que estávamos equivocados sobre um ser do qual vivemos embriagados vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Mas não temos culpa. Nem percebemos que nutrimos uma determinada visão sobre nós mesmos que pode estar desconexa da realidade. Esta é a maior prova de que enxergamos o mundo com os óculos da subjetividade. Seguem aqui as cinco pessoas que eu achava que era, e que descobri que tudo não passava de uma cilada, Bino.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    Não tenho saudades

    Se há uma situação que, devido ao distanciamento social, não estou tendo mais que enfrentar é cumprimentar alguns homens e sentir a mão deles descendo até a cintura para conferir se sou magra ou não – ou se estou magra ou não, para os que já me conhecem.

    Alguns homens acham que a gente é ingênua e que jamais perceberemos uma manobra dessas. Ou pior, eles pensam que são malandros e que mulheres não entendem de malandragem. Na verdade, muitos deles esquecem que somos seres que evoluíram ao longo de milhares de anos para percebermos o ambiente ao redor. Por exemplo, temos uma super audição que serve para identificarmos o choro do nosso bebê mesmo durante um bombardeio ou durante as duas horas de panelaço transmitidas pelo Jornal Nacional. Nossa visão voltada para os detalhes também evoluiu dessa forma, assim como a noção espacial dos homens, uma vez que tinham de viver com os olhos focados na caça. A evolução do ser feminino transcende

  • Crônicas,  Por aí,  Santa Catarina,  Vida e Carreira

    Tua praia preferida é linda ou ótima?

    Pois é, o verão já se foi e parece não ter mais nada a ver o assunto praia. Mesmo se quiséssemos passar frio na beirada do oceano, não é permitido pois estamos em regime de isolamento. Contudo, preciso colocar em dia as conclusões que tirei das minhas últimas férias, que se passaram à beira mar.

    Na verdade, o assunto me persegue há anos. Este diálogo sempre acontece quando volto da praia: a pessoa pergunta que praia? e eu respondo e lá vem de volta: ah, é o paraíso!!! Com três pontos de exclamação. Na verdade são quatro mas não gosto de número par.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    16 oportunidades que o isolamento social oferece e que você não percebeu

    Embora as circunstâncias mundiais sejam devastadoras, somadas às particulares, que cabe a cada um, uma vez que cada pessoa tem a sua dor e suas dificuldades, tento me manter firme de todas as formas que eu encontro ou que eu crio. E tento ver o isolamento social como a oportunidade de me organizar mental, fisicamente e rotineiramente.

    Aqui vai uma lista de oportunidades que o isolamento oferece e que talvez você não esteja enxergando, que podem te salvar por esse período e, quem sabe, até fazerem parte da tua vida após essa fase difícil.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    O processo que inventei para lidar com a minha ansiedade

    Adoro a frase do Jordan B. Peterson: a vida não tem o problema. Você tem. Tira um peso das minhas costas. Porque se o problema fosse da vida, nada poderia fazer. Porém, como ele é meu, então posso fazer algo a respeito. Ou seja, está em nós a origem de nossa “questã” e, por isso, habita em nós mesmos a resolução. Eu não estou dizendo, de forma alguma, que não devemos procurar ajuda. Escrevo sobre isso porque é incrível a habilidade que o ser humano tem de criar os próprios caminhos para lidar melhor com determinadas situações.

    Não chego a encher uma mão, mas já tive alguns episódios de ansiedade. Quando centenas de ideias passam pela minha cabeça, praticamente na velocidade da luz, e o coração acelera e vou contraindo os músculos dos meus ombros, como se abraçassem meu pescoço, percebo que a ansiedade chegou, aquela visita indesejada, e que é hora de botá-la pra correr. É hora de agir, de forma imediata e pontualmente.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    Por que temos que nos preocupar com o futuro?

    Assistir a um filme foi a sugestão do meu marido. Escolheu um espanhol, na Netflix. Parecia promissor. Mas não demorou muito para eu me distrair com a barba dele e a busca por pequenos cravinhos na pele. Atitudes que filmes-pouca-coisa despertam em mim. Limpeza de pele finalizada, me esforcei para concluir a sessão.

    A sensação que eu tinha era de assistir a uma daquelas comédias para a família brasileira que juntam uma porção de atores-celebridade em uma tremenda confusão. Nada contra, uma vez que esse tipo de filme é totalmente eficaz para manter os membros do clã unidos em torno de um balde de pipoca – unidos por causa da pipoca – com a boca ocupada sem poder proferir frases desencadeadoras de crises. Toda família tem as suas frases, não vem que não tem.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    Reflexões a partir da exposição Digo de onde venho, de Mariza Carpes, no MARGS

    Sou diretora de arte publicitária, trabalho com design gráfico e também faço cerâmica. Para mim, a questão visual pesa muito, seja de um cachorro-quente ou de um filme. Pois o primeiro impacto que tive quando adentrei a exposição Digo de onde venho, de Mariza Carpes, foi o quão bonito e coerente estava o espaço, ou melhor, os espaços, pois a obra ocupa duas salas do MARGS. As cores escolhidas são muito agradáveis e sóbrias, a iluminação aconchegante e as centenas de itens eram organizadas magistralmente. Adoro exposições de arte que me fazem querer ficar por ali um bom tempo ou, ainda, perder a noção do tempo.

    Perceber a estética visual ao redor aconteceu em um milésimo de segundo, seguido de um outro milésimo de segundo de “olha todos esses objetos, parece a minha casa!”.

    Nesse momento, queria muito abraçar Mariza, dizer a ela “obrigada, você me entende”. E para você entender porque senti isso, precisamos entender a exposição de Mariza.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    Eu só queria um ventilador retrô

    Finalmente compramos um ar condicionado. Planejávamos como encobrir os fios e a tubulação enquanto deitados, no escuro, com dificuldade para pegar no sono. Concluímos que numa noite como aquela, de temperatura amena, não ligaríamos o aparelho novo, ficando somente com o ventilador ligado, como estávamos naquela madrugada.

    Disse que, se fosse ter um uso moderado, então compraria um ventilador daqueles de estilo retrô. O que me fez lembrar da diferença entre retrô e vintage, que o retrô são peças feitas hoje que queriam ser como as do passado, e que o vintage são as próprias peças do passado. O que me fez lembrar da época dos anos 1980 e 1990, que me são muito especiais e que, na minha cabeça, estão há poucos anos de distância, até me dar conta que houve todo o ano 2000 e que o 2010 também já se esfarelou.

    O que me fez pensar que um dia será 2080. E que pessoas nascidas em 2085 crescerão, e que quando atingirem uns 30 anos, lembrarão das brincadeiras da infância e das roupas escalafobéticas que usavam e que o mais bizarro, inclusive, era que estas mesmas roupas tinham voltado à moda. Então a pessoa começaria o papo assim: lembra daquele brinquedo dos anos 80?, ao que seu interlocutor jamais responderia: que anos 80? os dos 1980 ou os dos 2080? Ele automaticamente saberia que estavam falando dos anos 2080.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    Você é a sua melhor versão quando viaja?

    Li esta frase em um texto da Gaía Passarelli que, por sua vez, ouviu de um escritor de viagens: você é a sua melhor versão quando viaja? E ficou ecoando em mim. Nunca tinha pensado sobre isso. Simplesmente viajava.

    Então, passei a refletir sobre. Percebi que a questão toda já começa no fazer as malas. Fazemos as malas querendo ser outra pessoa. A Ellen DeGeneres, em seu último stand up, Relatable, do Netflix, falou em “uma personalidade fantasiosa que temos quando viajamos”. Uma pessoa que lê três livros em menos de uma semana, por exemplo. Quem nunca? Já levei quilos de leitura de que não senti nem o cheiro. A fantasia contagia até o jeito de nos vestirmos. Já montei mala para uma Juciéli muito a fim de usar um macacão como nunca antes visto. Já organizei nécessaire recheada de artefatos para prender um cabelo que é dono de si e que está sempre ao sabor do vento e da poluição. Não duro muito tempo com meu cabelo preso e ajeitado. Preciso passar a mão nos fios e transferir tudo que a vida depositou nela nas últimas horas.

  • Crônicas,  Vida e Carreira

    4 hábitos que pratiquei em 2019 que seguirão para além de 2020

    Aqui seguem quatro ações que já estão completamente inseridas na minha vida, que tomaram força em 2019 e que provavelmente continuarão fazendo todo o sentido mais para frente. De cabelo à política, de leitura à camiseta do índio que já anda sozinha.

     

    1. Parei com as mechas

    Longe de mim julgar, sob a experiência dos meus trinta e quatro anos, uma escolha feita aos vinte. Seria uma injustiça total mas a justificativa para fazer mechas no cabelo era a de iluminar, tirá-lo da mesmice. Tanto é que nunca me considerei loira, uma vez que apenas “dava uma iluminada nos fios”. Meu cabelo era bem mais jovem, bem mais hidratado e eu ainda descoloria apenas uma vez ao ano. Então o resultado era ótimo, similar ao natural. Só que há tempos meu cabelo não recebe muito bem o processo da descoloração e há algum tempo venho me questionando por que insistia em clarear. E se meu cabelo já não se anima mais com uma iluminada, de minha parte não há vontade, nem tempo