
Daquelas receitas em que juntamos tudo que a gente gosta e dá bom. Não tem nada de complexo na execução, só no sabor. Vale muito a pena. Agora eu só preciso aprender a parar de fazer isso.

Daquelas receitas em que juntamos tudo que a gente gosta e dá bom. Não tem nada de complexo na execução, só no sabor. Vale muito a pena. Agora eu só preciso aprender a parar de fazer isso.

Não entendo uma palavra em mandarim mas a beleza e esmero da série A Stranger in Shanghai foram suficientes para me manterem como uma múmia paralítica diante da TV.
A série transmitida pelo canal NHK World Japan, a emissora pública do Japão, onde sempre vou parar quando começo a zapear, não fornece legendas, nem mesmo em inglês.

O jardineiro que cuidava do pátio também tratou do pomar da calçada. Podou uma bananeira. Folhas maravilhosas por todos os lados. Enquanto eu alcançava um galho cortado caído na rua, quase atropelado pelos carros, o jardineiro se aproximou e estendeu o braço para me entregar um presente. “Uma muda. Isso aí não pega”.
Enquanto eu lançava as palavras que compunham a frase “muito obrigada”, o jardineiro dava as costas e seguia ordeiro para o trabalho na casa, sumindo entre trepadeiras e árvores de médio porte, sem que eu conseguisse perguntar o nome, enquanto era chamada para ser atendida no portão ao lado.

Meus avós venderam a antiga casa da praia. Significa o fim das conversas existenciais que aconteciam sobre um colchão apoiado no piso frio da garagem, lugar onde encanava o vento que passava acelerado, vindo do mar depois de percorrer uma quadra cidade adentro.

Quando um pacotinho de fava atravessa a porta da minha cozinha significa que a coisa ficou séria. Seja plantada e colhida pela minha avó ou comprada de um agricultor longínquo que vem até a cidade conseguir seu sustento, a fava, sozinha, vira meu jantar sem nenhum outro acompanhamento.

Foi mais difícil do que pensei. Achei que cobrir um dos cinzas mais claros da face da terra das tintas seria moleza. Cinco demãos. Cin-co demãos.
Minha sala estava com a cor de tinta Tubarão Branco, um cinza suave. Claro que a intensidade da cor depende de quantas demãos se dá e da concentração, mas o cinza em si não era escuro.

A caixinha de cuscuz tem espaço vitalício na minha despensa. É um quebra-galho de primeira linha quando quero fazer uma janta rápida e que seja leve.
Sou fã desta receita, também, porque posso pegar todos os legumes solitários na fruteira e dar-lhes uma razão de ser na vida. Portanto, um prato que atua em prol do desperdício zero.
Desta vez, fiz com sardinha, cenoura e couve-flor. Mas costumo variar muito os ingredientes. A penúltima receita de cuscuz que fiz, por exemplo, recebeu berinjela e lascas de parmesão. Pois é, o cuscuz é sempre inocente. Os acessórios é que podem ter segundas intenções. Só depende de você. Ou do dia. Ou das emoções.

Revi Mulheres à beira de um ataque de nervos, um dos filmes que tenho em casa e percebi que, mais do que nunca, precisamos ser Pepa. Interpretada por Carmen Maura, Pepa é mais que uma personagem, é uma heroína e isso não fica claro para muitos espectadores.

Se alguém me dissesse, no final de 2019, que em 2020 eu assistiria diariamente à bagunça no armário de um correspondente de Brasília de uma rede de TV eu não acreditaria.
Confesso que ainda não me acostumei a ver a casa dos apresentadores de programas de TV, jornalistas, algumas celebridades e personalidades.


O vidro em estilo antigo boticário, que ficava no meu banheiro com flores, ganhou impressão feita à mão, personalizada e bem-humorada. Fiz com estêncil e tinta. Mas não precisei sair de casa nem entrar em uma loja de produtos não essenciais para conseguir os materiais. É que sofro da síndrome chamada Agora Que Consegui Os Materiais Eu Faço Outra Hora, só que a outra hora nunca chega.